Adriana e Aline

Quem vier, de onde vier, venha em paz!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ANIMANDO A EDUCAÇÃO

Sergio Henrique Martins
(Depoimento de Sergio Abreu)
A produção de vídeos de animação é o trabalho mais original do Centro Educacional Espaço Integrado (CEI), escola da rede particular carioca. Metade de seus 700 alunos, do CA à 8ª série, tem papel fundamental nessa atividade: eles criam histórias, fazem desenhos e bonecos, dublam e participam do processo de animação. Como resultado, ficam intensamente motivados a aprender e inventar - é o que garante Sergio Abreu, coordenador de multimídia da CEI.
Ele é o responsável pela técnica e a infraestrutura que possibilitam a produção dos vídeos e também de homepages, jogos de computador, e outras invenções da Espaço Integrado. Em depoimento, conta um pouco de sua experiência, diz como a CEI evoluiu no uso pedagógico da tecnologia e dá dicas para uma escola com poucos recursos combinar comunicação com informática e fazer uma educação estimulante. Acompanhe.
Uma amostra do trabalho de animação da CEI está disponível para download. O arquivo tem 1.7 Mb e pode ser aberto pelo programa Real Player.

Aprendendo na prática

Nosso envolvimento com informática começou no meio dos anos 90. Desde o início, optamos por uma linha de trabalho própria. Por isso não contratamos uma empresa especializada em informatizar escolas. A gente queria aprender a lidar com o computador na educação, absorver a cultura da informática na escola, e achava que, se deixasse uma empresa cuidar disso, não ia ter esse aprendizado. Foi uma opção pelo caminho mais difícil, e erramos muito — afinal, ninguém na escola tinha formação em informática, eu mesmo me formei em arquitetura e tinha experiência profissional em música. Mas garantir essa independência nos pareceu o melhor a fazer a longo prazo, e hoje posso dizer que valeu a pena.
De início criamos uma disciplina específica sobre informática, com aula uma vez por semana. Com o tempo, vimos que a aula estava muito tecnicista: os alunos aprendiam um determinado programa, um certo procedimento para usar o computador... Então a gente procurou associar o ensino de informática com outros trabalhos desenvolvidos pela escola, e criou a disciplina Tecnologias da Comunicação e Informação. Nesta disciplina, os alunos podem ter uma visão mais crítica dos meios de comunicação, através de discussão e reflexão e, também, da prática.
O aspecto prático é importante. O aluno pode pensar criticamente a partir de um certo domínio da técnica. Ao fazer um jornal, um vídeo, ele passa a ter ideia de como a comunicação se faz, como pode ser manipulada. A informática, no caso, entra nesse processo como uma ferramenta, um meio para a criação e a expressão.

Imagem, movimento, sedução

No começo de nosso trabalho, os computadores serviam para criação de homepages e, no máximo, para experiências com arquivos de áudio. Então fizemos projetos de um jornal eletrônico e de uma rádio. Com o avanço da tecnologia a gente viu que era possível ousar mais. Começamos, então, projetos envolvendo vídeo. A gente não imaginou o sucesso que isso ia fazer.
Tudo o que a gente conquistou começou com uma atividade simples, envolvendo só um grupo de alunos. Passamos os filminhos feitos em computador para fita de vídeo e exibimos num telão, na escola, fazendo um tipo de festival. Isso causou uma comoção geral; fascinou os pais, a coordenação... A direção da escola decidiu apoiar essa linha de trabalho, e aí fomos comprando equipamentos, montando a estrutura para isso. Transformar a atividade isolada num projeto para toda a escola foi inevitável: os alunos das outras turmas cobraram isso, eles queriam também lidar com animação.
A verdade é que a imagem em movimento seduz, envolve mesmo. Para fazer um desenho animado são necessários pelo menos 12 desenhos por segundo. Nossos filmes têm dois minutos e meio, três minutos; imagine, então, o esforço. Mas nem parece que os alunos percebem isso, pois fazem tudo numa boa, tal a paixão que eles têm por esse trabalho. Para mim, é por causa desse fascínio do audiovisual.

Animando com poucos recursos


Alunos do CEI se inspiram no mangue
 
Um bom exemplo do que a escola faz com a disciplina Tecnologias da Comunicação e Informação são os trabalhos sobre o mangue. Levamos os alunos da quarta série para conhecer o manguezal em Guaratiba. Nesta parte eles fazem uma prática em Ciências. Depois, passam o que viram, acharam e sentiram para a criação do vídeo. Desta vez, contamos com a participação do professor de Música. Ele criou uma música com as crianças, que foi a trilha sonora do vídeo.
No CEI temos um laboratório com 30 computadores e um estúdio, mas uma escola com poucos recursos pode muito bem criar seus vídeos de animação. Basta ter um computador, que pode ser de um modelo antigo, e um scanner. É importante ter uma mesa de luz, que é fácil de se fazer: trata-se de uma tela de vidro com uma lâmpada embaixo (*). Os desenhos são feitos na mesa, depois são escaneados. Para combiná-los numa cena de animação é preciso um programa específico. Mas a escola pode pegar na Internet uns programas gratuitos, como o Flash 3.0. Claro que se a escola não tem quem saiba usar o programa tudo fica mais difícil. Mas vale a pena experimentar o software, arriscar. A gente trabalhou muito assim, deu muita cabeçada mas acabou aprendendo.
O ideal é que o computador usado na criação do vídeo esteja ligado a um aparelho de videocassete; assim dá para se fazer uma cópia em fita de vídeo da animação, o que facilita muito na hora de se exibir o trabalho. Para isso, o micro tem que ter placa de vídeo. Caso se queira fazer animação com bonecos, com objetos, aí é preciso providenciar uma câmera. Mas não precisa ser um equipamento caro, pode ser uma câmera caseira. Uma boa placa de vídeo sai por R$ 300,00. Não é barato, mas nada fora do alcance de uma escola, mesmo pobre.
O vídeo é a vedete de nosso trabalho, mas desenvolvemos projetos com outras mídias e que são muito interessantes. Por exemplo, uma de nossas turmas criou um programa de perguntas e respostas sobre História do Brasil. No CEI estamos sempre interessados em experimentar com as linguagens e as tecnologias. Estamos começando a estudar a possibilidade de lidarmos com robótica. Para isso, tenho ido a São Paulo, conhecer propostas de grupos e empresas. Também estou atento ao que grupos, como o do Colégio Santo Inácio, estão bolando nessa área. É importante, e muito legal, acompanhar essas inovações. Sempre prestando atenção no que elas podem somar na educação.
* A mesa de luz serve para superposição de uma folha sobre outra, desenhada. A luz projeta o contorno do desenho na folha em branco e, assim, o animador tem ideia da posição das figuras da cena anterior quando está compondo a cena seguinte.
10/6/2002

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Reflexão

Reflexão

SUGESTÃO DE VÍDEOS PARA O NATAL

O Natal de todos nós (Turma da Mônica)

O Natal está chegando! Clips da Turma
Um Natal Glacial (Turma da Mônica)
Natal com a Turma da Mônica

“Natal todo dia” (Roupa Nova)

O Nascimento de Jesus

A Pequena Vendedora de Fósforos (Conto de Andersen)

O PODER DAS REDES SOCIAIS


Enquanto muitas empresas ainda parecem não crer no poder que as mídias sociais tem, vou citar alguns exemplos que aconteceram comigo recentemente para provar o quão importante elas tem sido.
Exemplo 1: A Copa do Mundo na África do Sul estava bombando e a Paquetá Esportes faz uma promoção via Twitter para quem acertasse os resultados dos jogos do Brasil. Aposto, no jogo contra a Costa do Marfim, em 3 a 1 para o escrete canarinho. Finzinho do jogo, 3 a 0 para a Seleção e Drogba faz um gol. Eu discretamente comemoro, e ganho uma camisa oficial da Seleção da Argélia, entregue em casa pelos Correios.
Exemplo 2: Libertadores da América, semi-final entre Inter e São Paulo. O Banco Santander, patrocinador da competição, faz uma promoção nas principais redes sociais, Twitter, Orkut e Facebook, onde sorteia ingressos para a área Vip. Ganho o sorteio, e de acordo com o enunciado da promoção do Twitter e confirmado pelo telefone na ligação que recebi, e também por e-mail, seriam um par de ingressos para o jogo. Com isso, resolvi levar comigo o meu irmão, que já tinha um ingresso, o qual ele cedeu para a nossa irmã, que não é sócia do Inter.
Chegamos então no dia do jogo junto à tenda do Santander, conforme instruções recebidas por e-mail. Ao chegarmos, foi informado que só o meu nome constava do sistema e que não teria direito ao segundo ingresso, no caso, do meu irmão.
Abri o meu N95 e mostrei os dois e-mails para o senhor Celso, da Group Comunicação (agência que cuida do marketing do banco), e o mesmo teve bom senso e boa vontade, liberando o credenciamento do meu irmão.
E se eu não tivesse um smartphone e não tivesse como comprovar que eu tinha direito a um par de ingressos para o jogo? Meu irmão, que tinha um ingresso para a arquibancada superior e cedeu o mesmo para a minha irmã para me acompanhar na Torcida Santander, não teria visto o jogo por uma falha interna de comunicação?

Enviei a reclamação para o banco e fui respondido rapidamente com um pedido de desculpas.
Exemplo 3: Em agosto assinei o serviço de TV por assinatura da Sky, que dava na época um desconto razoável para quem era cliente da GVT. No dia da instalação, como o instalador demorou mais que o previsto, me atrasei para o trabalho, e publiquei no Twitter algo como “Valeu Sky, por fazer eu me atrasar para o trabalho”. Em poucos minutos recebi uma resposta no Twitter pedindo desculpas.
Dois dias depois recebi uma fatura por e-mail e achei estranho, já que não conhecia o sistema de cobrança da empresa, e reclamei novamente no Twitter. Novamente tive resposta rápida, informei meu código de cliente e em poucos minutos estava recebendo uma ligação me explicando todo o processo de cobrança e da fatura. Não satisfeita, a Sky ainda me enviou por e-mail todas as informações passadas pelo telefone. Agilidade nota 10.
Exemplo 4: Não encontrei os chocolates Bis sabor limão no supermercado que costumo ir, o Zaffari da Otto Niemeyer. Pelo site do Zaffari, relatei que gostaria de poder comprar tal chocolate. Me ligaram, e em 3 dias, estava disponível no súper o Bis Limão. E meu comentário no Twitter e no Facebook sobre isso gerou várias respostas de gente que resolveu experimentar este chocolate, elogiando ou criticando, de acordo com o gosto de cada um.
Exemplo 5: O clicRBS mudou o seu layout. Comentei no Twitter que não tinha gostado do posicionamento das notícias e em alguns minutos recebi uma mensagem do site dizendo que várias outras pessoas também compartilhavam da minha opinião, e que estavam trabalhando para corrigir isto.
Há também as empresas (e órgãos públicos) que ainda não estão se importando com o feedback, usando as mídias só para informar. E ainda as que só dão retorno quando conveniente, como uma rede de restaurantes que respondeu rapidamente quando perguntei sobre entrega, mas ignorou minha pergunta de porque eles não aceitavam vale-refeição à noite, mas aceitavam no almoço.
Alguém ainda duvida do poder das redes sociais?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Reflexão

"Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar." (Anatole France)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

‘Qualquer um pode aprender’, diz Bernardo Toro, filósofo, sociólogo e educador colombiano

Educador acredita que a criança só não aprende se faltar motivação ou se método aplicado for ruim
Transformar o sistema educacional em um projeto de nação e a inteligência, em um bem coletivo para promover o desenvolvimento do País e da região. Esse é o principal desafio que a presidente eleita, Dilma Rousseff, deve enfrentar de forma imediata para consolidar o Brasil como líder na América Latina, diz Bernardo Toro, filósofo e um dos mais respeitados educadores da atualidade. Colombiano, Toro é ligado à Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá e atua à frente de diversas ONGs ligadas à educação e à erradicação da pobreza. Na quarta-feira passada, a convite da Fundação Bradesco, o filósofo falou durante três horas para uma plateia formada por educadores e executivos do terceiro setor, em São Paulo. Destacou a necessidade de foco na preservação e transmissão do conhecimento e apontou obstáculos educacionais comuns ao continente e, em particular, ao Brasil, que define como “líder” e polo de atração de imigrantes. Antes da palestra, ele falou ao Jornal da Tarde.
O conceito de política educacional voltado para a dignidade humana é uma proposta específica para a América Latina?
Na América Latina, temos uma história da educação que começou como uma atenção social, na época das colônias. Depois, a educação se transformou em um serviço. Faz pouco tempo que a educação na América Latina começou a ser um direito. Outros países que querem seguir adiante não veem a educação como um serviço ou um ministério, mas como parte de um projeto fundamental do país que querem construir. Em nossos países, a educação e o Ministério da Educação estão separados de um projeto de nação. Nos países latino-americanos, cada um e em conjunto, poderíamos pensar qual é o tipo de educação de que esse projeto necessita. Porque a educação, por si mesma, não produz mudança. Mas nenhuma mudança é possível sem educação. De antemão, já se poder dizer que não é possível que continuemos a aceitar como normal ter dois sistemas educativos, um privado e um público, de diferente qualidade. Se não tivermos a mesma educação para crianças na Amazônia ou aqui, no centro de São Paulo, onde estamos neste momento, a educação se converterá em um fator de desigualdade social, em vez de ser um fator de articulação social.
No Brasil, começou-se a falar em bônus por desempenho na rede pública. Isso ajuda para uma educação com qualidade?
O problema é a educação em escala. No Brasil, vocês têm 45 milhões de crianças e jovens no sistema educacional. Então, tudo tem de ser pensado para os 45 milhões, não para pequenos grupos. E o passo fundamental que temos de dar é mudar a definição de educador. O educador não é só um profissional que dá aulas, é um profissional que deve garantir à sociedade brasileira, argentina ou colombiana que aprenda os melhores conhecimentos que existem em cada momento. O educador é responsável pelo saber formal da sociedade e a família, em parte, pelo emocional. Cada instituição é responsável por saberes distintos. Mas o educador é responsável por aquele conhecimento que a sociedade usa e que toda geração seguinte deve apropriar-se. Temos que renunciar ao conceito de que, se as crianças fracassam, problema é delas. Esse problema é nosso, dos adultos. Uma criança de 8 anos que perdeu o ano não vai entender o que aconteceu. Somos nós, adultos, que lhe atribuímos o fracasso. O pai, o professor e a sociedade atribuem o fracasso à criança e esta passa a atribuir-se o fracasso. As crianças só fracassam porque não fazemos as coisas direitas. Qualquer um aprende qualquer coisa direito se tiver um bom método e uma boa motivação. Se não aprende, ou falta motivação ou o método é ruim. Se mudar um ou outro, ou ambos, o aluno aprenderá.
Nessa linha, não se pode caminhar para culpar o professor?
Os professores são responsáveis pelo aprendizado das crianças, mas o professor em conjunto com a sociedade. Porque ele não pode ser responsável sozinho por todo o processo. O professor é um profissional que requer toda uma infraestrutura e apoio da sociedade para que exerça sua tarefa. Estamos pedindo demais ao educador, e não estamos dando a ele instrumentos nem papéis e nem contextos para que possa ter êxito. A educação para ser um projeto de nação tem de ter muitos elementos que devemos propor para que as crianças tenham sucesso. Para que adquiram competências em leitura e escrita, cálculo e solução de problemas matemáticos; competências para trabalhar em grupo e obter resultados coletivos; habilidades para analisar e criticar o entorno, ou seja, formação política. Temos que proporcionar que as crianças saibam a que projeto político pertencem, o da nação.
Qual é o papel do terceiro setor e das empresas nesse processo?
Nos países desenvolvidos, as grandes fundações dedicam-se a completar o projeto social. Nos países da América Latina, o papel das grandes fundações é tornar possível o contrato social. Esse acaba sendo o papel delas: como fazer para que alunos aprendam e também para que o filho do empresário estude na mesma escola do filho da empregada.
A América Latina deveria desenvolver uma política educacional em bloco ou algo assim?
Tenho a sorte de trabalhar praticamente em todos os países da América Latina e é preciso reconhecer: temos a mesma tradição espiritual e política, com colônias, conquistas, repúblicas, dissolução de governos, abertura democrática, que é recente como projeto político, mestiçagem. Temos um território gigantesco, e praticamente um terço dele é ocupado pelo Brasil, dois idiomas com a mesma tradição linguística e os grandes desafios são comuns: mudança climática, sustentabilidade e superação da pobreza. Os problemas educacionais também são os mesmos. Nesse contexto, ou aprendemos a atuar como continente ou não teremos saída. Na América Latina, ou vamos todos ou não vai ninguém. Não acho que seja difícil, e o grande papel da sociedade civil é mobilizar nossos líderes. Temos de reconhecer as qualidades uns dos outros. O Brasil não pode ser o país que queremos para o Bric (bloco dos países em desenvolvimento) sem a América Latina. Nem Chile, nem Colômbia, nem Equador, nem Peru...
Fonte: http://www.estadao.com.br

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O gato e a raposa




O gato e a raposa não privavam, em trato de amizade, mas de uma vez que o acaso os juntou deram em considerar que não eram tão desparecidos um com o outro, como se julgavam.
Ambos tinham cauda, embora a da raposa mais felpuda e mais calhada para gola de samarra, o que não era de bom tom lembrar à raposa... Ambos tinham o passo de bailarina em pontas. Ambos tinham olhos de farolim, para descortinar os recantos da noite. Ambos tinham artes de caça e vasto receituário de matreirices. Ambos sabiam, com vaidade, que valiam mais do que pesavam. Ambos tinham aos cães a mesma raiva.
Foi, aliás, a propósito de cães que a raposa e o gato, um dia, em que passeavam a par pelo campo, tiveram a seguinte conversa:
- Se uma matilha de cães nos perseguisse, o que é que tu farias? - perguntou a raposa ao gato.
- Nem me fales nesses monstros, que fico com o pêlo em pé - disse o gato. - Uma matilha? Bastava-me um cão só, para lhe fugir.
- Pois sim, mas como te escapavas? - insistiu a raposa.
- Escapava-me. Fugia. Safava-me. Debandava. Raspava-me. Sumia. Onde houvesse uma árvore para eu trepar era por ela acima que eu desaparecia da vista do cão - explicou o gato, todo arrepiado.
- Vejo que és um pouco simplório e covarde - comentou a raposa. - Pois eu tenho mil manhas e recursos para os afastar de mim. Um catálogo de estratégias, podes crer. A dificuldade está na escolha, quando chega a ocasião.
Logo por azar, surgiu a ocasião. Dois cães de caça correram sobre o gato e a raposa. Sentindo-os perto, o gato saltou para uma árvore e pôs-se a salvo.
Mas já eles corriam sobre a raposa.
Então o gato viu a raposa, que há pouco se gabava de dispor de tantos e tão variados expedientes contra a fúria dos cães, fugir a bom fugir, como qualquer coelho assustadiço. E, lá mais adiante, ser filada pelo rabo...
Não tardaria muito que enfeitasse uma gola de samarra.
Do seu providencial poleiro, o gato matutava que mais vale saber do que apregoar que se sabe.

Prédio Harmonioso



Tenho um vizinho que toca violino, e que bem que toca violino o meu vizinho. Mora no 1.º esquerdo.
Tenho outro vizinho que toca violoncelo, e que bem que toca violoncelo o meu vizinho. Mora no 2.º direito.
Tenho outro vizinho que toca piano, e que bem que toca piano o meu vizinho. Mora no 1.º direito.
Tenho outro vizinho que toca viola clássica, e que bem que toca viola o meu vizinho. Mora no 2.º esquerdo.
No rés-do-chão há uma loja de instrumentos musicais. A loja, durante o dia, está sempre cheia de música, porque nela vendem pianos, acordeons, violinos, violas, guitarras... eu sei lá que mais. Vendem e consertam. À noite, claro está, a loja descansa, mas os meus vizinhos encarregam-se da música do prédio, que fica só por conta deles.
Não tem mais andares o nosso prédio. É o rés-do-chão, o primeiro e o segundo. Então onde é que mora quem isto conta?
Onde é que eu moro, querem saber? Moro na escada, num canto escondido, e não me canso de ouvir música.
Quando oiço os meus vizinhos tocar, digo-lhes, em surdina, em segredo, como se eles pudessem ouvir: ?Certinhos! Certinhos! Muito certinhos!". É um prédio muito harmonioso.
Pelo meu lado, faço o que posso. Também toco, pois claro. Toco harpa. Sou a aranha da escada e toco harpa, quando os meus vizinhos já estão a dormir. Acredito que, em sonhos, eles devem ouvir-me.
Assim, o prédio harmonioso nunca conhece o silêncio.

António Torrado

Interatividade estimula o aprendizado

Várias escolas já adotaram alguns modelos de interatividade virtual para tornar o ensino mais atraente aos alunos. Marize Peixoto considera essa experiência positiva, mas destaca que o professor é indispensável para a orientação das informações que crianças e adolescentes recebem por novos canais, principalmente a internet.
- O acesso à rede abre um leque de possibilidades, mas tudo depende do objetivo do que é apresentado na sala de aula. Osalunos precisam do professor para guiá-los, até porque nem todas as informações que chegam pela internet são confiáveis - frisa.
Na Escola Rakel Rechuem, em Mesquita, a instalação de um quadro interativo fez professores perceberem uma maior participação de estudantes nas aulas. O coordenador Isaac Gonzaga de Oliveira explica que, como o equipamento tem acesso à internet, as atualizações das informações exibidas são constantes, o que deixa todos sempre antenados com as novidades.
- O equipamento começou a ser usado nas aulas de história, geografia, matemática e ciências, mas professores de outras disciplinas também o adotaram. A de literatura, por exemplo, apresenta vídeos do YouTube sobre grandes escritores - diz o coordenador.
O professor de geografia Walker Antero usa os recursos de touchscreen do quadro para explica os movimentos migratórios populacionais no mundo com dados atualizados este ano.
- Trabalhamos com imagens que os livros não têm, como gráficos em movimento e fotos recentes - explica.
Osalunos aprovam. Clara Rodrigues, de 14 anos, diz que "a tecnologia faz as aulas ficarem mais interessantes".
- A professora de biologia usou uma animação para explicar as divisões das células. Foi uma aula ótima - afirma.
Sua colega Estefanie Diana, de 15 anos, concorda:
- Estudar ficou mais legal. Na aula de história, a professora exibiu um vídeo sobre a tortura de escravos que me marcou muito.
No Colégio de Aplicação (CAP) José de Souza Herdy, em Duque de Caxias, a diretora Maura Marzocchi incentiva os estudantes a usar a tecnologia. A unidade tem uma parceria com o Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do governo federal. O órgão cedeu 25 bolsas de iniciação científica paraalunos do ensino médio, projetos de desenvolvimento de maquetes robóticas e laboratórios. Graças a essa contribuição, estudantes do 2º ano do ensino médio aprenderam a desenvolver um novo modelo de bafômetro.
- O que proponho no ensino é autonomia e responsabilidade. São benefícios para o resto da vida. A tecnologia é uma ferramenta e tanto para o desenvolvimento das crianças. Com ela, oaluno pode ser o autor do próprio aprendizado - afirma Maura.
Na Escola Padre Valério Pierpaoli, uma unidade do Santa Mônica Centro Educacional em Seropédica, o diretor Luís Manuel Parente diz que a tecnologia está bem inserida no projeto pedagógico.
- É surpreendente ver comoalunos absorvem duas ou três informações ao mesmo tempo utilizando recursos de audiovisual, da internet e até do celular. AEscola incentiva isso - diz Parente.
O futuro chegou
Escolas utilizam novas tecnologias para incrementar o ensino e manter o interesse dosalunos pelas aulas
Raquel Sepulveda
Muitas vezes associada à diversão, principalmente quando é disponibilizada para crianças e adolescentes, a tecnologia virou uma importante ferramenta de ensino. Programas de computadores ajudam a despertar o interesse por matérias e, ao mesmo tempo,Escolas já estimulam pesquisas feitas pela internet. Para manter um bom diálogo com os estudantes, professores se veem obrigados a ficar atentos às novidades do mundo virtual.
Vice-diretora da Faculdade de Educação da Uerj na Baixada, Marize Peixoto considera "a presença da tecnologia um desafio para professores, que, por conta dela, devem apresentar novas propostas de trabalho". A pedagoga afirma ainda queEscolas precisam utilizá-la ao máximo, pois "é um instrumento que aguça o potencial questionador, base de todas as descobertas do ser humano".
Fonte: O Globo (RJ)

Reflexão

"A Preocupação olha em volta,
a Tristeza olha para trás, a Fé olha para cima."

Chico Xavier

Homenagem às mães

video

Dom Bosco

O PROFESSOR E A INFORMÁTICA EDUCATIVA


Pode-se afirmar que o uso do computador só funciona, efetivamente, como instrumento no processo ensino aprendizagem, se for inserido num contexto de atividades que desafiem os alunos a crescerem, construíndo seu conhecimento na relação com o outro (o professor e os colegas), além de utilizar a máquina. Acreditamos na necessidade de uma postura em que o aluno seja ativo, responsável pela construção de seus conhecimentos,de sua aprendizagem, e não um receptor passivo de informações. Dessa forma, não será a mera entrada da Informática, e sua transformação em disciplina curricular, que alterará o curso do processo ensino-aprendizagem, por intermédio de conteúdos significativos e integrados.
O professor no uso da Informática Educativa, como fator integro de conhecimento e promotor de aprendizagem. Defendemos mudanças nas abordagens mais tradicionais de ensino, de tal forma que esta venha a favorecer a aprendizagem do aluno e do professor.

*A importância do trabalho em grupo; 

*A possibilidade de se estabelecerem conexões entre categorias de pensamento e entre os conteúdos significativos para o sujeito; *Um ambiente onde todos tenham liberdade para criar, pensar e inventar; 

* Uma escola que valorize a criatividade do professor e do aluno.

A necessidade de criação deste tipo de ambiente de aprendizagem não é nenhuma novidade no meio educacional. Mostramos que a entrada da Informática em nosssas escolas pode dar um novo ânimo para que se promovam essas transformações. Atuando num ambiente estimulante, de respeito e de troca, o professor estará não só favorecendo ao grupo como um todo, mas também ajudando aos que tem, por exemplo, dificuldade de expressão, de sistematização de ideias, de generalizões e de reflexões mais profundas. Os alunos que tem menos facilidade de concetração, tentarão estar mais atentos para poder participar em igualdade com os colegas. Os mais tímidos poderão ser incetivados pela produção grupal a dividir seus sucessos e insucessos

Fonte: Livro - A Informática e os Problemas Escolares de Aprendizagem.
Autoras: Alba Maria Lemme Weiss / Mara Lúcia R. M da Cruz

Atividades

Atividade para o 4° e 5° ano do Ensino Fundamental
Clique aqui para abrir a atividade...

Atividades

Atividade para o 2° ano.

A IMPORTÂNCIA DE BRINCAR

Vivemos atualmente em uma sociedade capitalista e violenta em que as crianças, em sua maioria, já não vivenciam mais brincadeiras de outras épocas, devido a três "avanços": o avanço da tecnologia, o avanço da violência e o avanço da ignorância. É triste saber que mais de 95% dos brasileiros não sabem que brincar tem a mesma importância que estudar, na formação de um caráter. E mais revoltante ainda é saber que algumas escolas banem do seu currículo acadêmico aulas de Educação Física, simplesmente por acharem que esse tipo de ensinamento é descartável.
Brincar tem uma importância absurda nos processos de desenvolvimento humano. Muitos não conseguem entender, ou até mesmo acham idiotice, mas as brincadeiras de infância são o reflexo dos desafios da vida adulta. E é necessário que as instituições de ensino tenham essa consciência e invistam mais em brincadeiras e dinâmicas para as suas crianças, pois estas, em sua totalidade, preparam-nas para o futuro.
Para ser ter uma idéia, está cientificamente comprovado que brincar desenvolve: a coordenação motora, a integração com o grupo, a locomoção, o raciocínio, o espírito esportivo, a elasticidade corporal, a resistência física, a resistência psicológica, o reconhecimento de erros e a disposição para corrigí-los, a criação de estratégias, a motivação, a criatividade, a comunicação, o espírito de liderança, a aptidão, a velocidade de corrida, a noção de espaço, a noção de tempo, o reconhecimento de habilidades e dificuldades, a facilidade de aderir a mudanças, a compreensão dos limites dos outros, a auto-compreensão, a interpretação de situações, o entendimento da natureza e de suas fases, a curiosidade, o espírito de proteção, a ousadia, a motricidade, a socialização, a coragem, a desinibição, a ampliação da mente, a valorização da amizade, o desapego aos bens materiais, a competição sadia, a busca por diversão, o riso fácil, a prática de novas descobertas, a convivência, a exploração de objetos, o auto-conhecimento, o saber perder, o respeito ao próximo, a atitude, o desenvolvimento do sistema cardio-respiratório, a ampliação de conhecimentos, a organização de pensamentos, a aceitação de limites e o reconhecimento de que eles são necessários, a facilidade de tomar decisões corretas, a liberdade de expressão, a satisfação com o que se tem, a interação, a influência, a criação e compreensão de gestos, a expansão da cultura, a fácil adaptação a rotinas, a investigação, a flexibilidade, a busca por alternativas, a afeição, a arte de sonhar, o saber esperar, a eliminação da arrogância, a maturidade, a conexão entre o imaginário e o real, a facilidade de aprendizado, o aprimoramento de relações, a facilidade de fazer amigos, a inteligência, a fertilidade da imaginação, a confiança, a esperteza, a segurança, a identidade própria, a autonomia, a atenção, a imitação do que é certo e o afastamento do que é errado, a memória, o espírito voluntário, a cooperação, a concentração, o despertar, a descoberta de mundo e, claro, a felicidade. E o melhor de tudo é que todos esses aprendizados são adquiridos pelas crianças de forma natural, gradativa e prazerosa! Brincar é um ato tão divino que, mesmo gerando grandes e significantes resultados, ela gera divertimento e satisfação, tanto para crianças, como para adultos.
Brincar é um momento sagrado. É através das brincadeiras que as crianças ampliam os conhecimentos sobre si, sobre o mundo e sobre tudo que está ao seu redor. Elas manipulam e exploram os objetos, comunicam-se com outras crianças e adultos, desenvolvem suas múltiplas linguagens, organizam seus pensamentos, descobrem regras, tomam decisões.
É necessário entender o quanto é saudável cair, se ralar, tropeçar, errar, perder, levar uma bolada, pular, saltar, rir à toa, correr... Enfim, ser feliz! Isso é ser criança. E tudo isso prepara as crianças para o futuro, onde terão que enfrentar desafios semelhantes às brincadeiras. Basta analisar as regras de qualquer brincadeira e compará-las com o mundo aqui fora. Assuma o compromisso de fazer isto e descubra porque tenho razão.
O adulto, ao se permitir brincar com as crianças, sem envergonhar-se disto, poderá ampliar, estruturar, modificar e incrementar as experiências das crianças. Ao participar junto com as crianças das brincadeiras, ambos aprendem através da interação, constroem significados apropriando-se dos diversos bens culturais e se construindo ao mesmo tempo, entre lembranças de adultos que brincavam quando crianças ou não, entre novas brincadeiras relembradas, aprendidas ou inventadas, exibindo que, mais do que coisa de criança, elas são de todos aqueles que ousaram tornar-se criança também.

Existe um rico e vasto mundo de cultura infantil repleto de movimentos, de jogos, da fantasia, quase sempre ignorados pelas instituições de ensino. É uma pena que esse enorme conhecimento não seja aproveitado como conteúdo escolar. Nem a Educação Física, enquanto disciplina do currículo, que deveria ser especialista em atividades lúdicas e em cultura infantil, leva isso em conta.

As instituições de ensino precisam levar em consideração essa gigantesca importância e aplicar brincadeiras e dinâmicas no currículo das crianças e dos adolescentes, desde o pré-escolar até o ensino médio. E isso não é um pedido, é uma obrigação. A Declaração Universal dos Direitos da Criança (aprovada pela ONU em 1959), no artigo 7º, ao lado do direito à educação, enfatiza o direito ao brincar: “Toda criança terá direito a brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantir a ela o exercício pleno desse direito”.

A tradição das brincadeiras tem ultrapassado gerações e gerações, espalhando-se por diferentes culturas e países. Sem sobra de dúvidas é necessária uma verdadeira cruzada em favor de um resgate dos jogos da cultura popular, pois eles estão em extinção. E esse resgate pode ser feito de duas formas: nas aulas de educação física, que precisam urgentemente desse conteúdo; e em gincanas recreativas, que deveriam ser muito mais freqüentes nas escolas de hoje.

Neste manual você tetá à sua disposição e à disposição da Instituição que você defende, 350 brincadeiras, dinâmicas e esportes que podem ser praticadas por todas as idades, desde que sejam adaptadas ao espaço e ao limite de cada um. Todas essas brincadeiras poderão se transformar em tarefas de gincana, desde que a comissão organizadora se reúna e faça algumas mudanças nas regras, para que mais pessoas possam brincar. As brincadeiras são primárias, portanto, seria interessante que o educador (ou recreador) crie novas brincadeiras tendo estas como base. E se você ainda duvida da relação que estas brincadeiras têm com os desafios da vida adulta, escolha algumas para ler e analisar as regras. Duvido que você não extraia, pelo menos, três lições de vida de cada uma.

Bem, espero que as brincadeiras sejam úteis e conto com a ajuda da sua instituição para dar uma infância mais feliz às nossas crianças. E também não podemos esquecer do quão importante é que os adolescentes e adultos também brinquem, afinal, todos nós temos uma criança dentro da gente e está mais do que comprovado que rir faz bem à saúde e estende a longevidade humana. Portanto, fica registrado o apelo: Vamos Brincar!

Autor Anônimo
site:http://www.jogosbrincadeiras.com.br/2009/06/importancia-de-brincar.html

O que os pais pensam sobre as reuniões escolares coletivas entre eles e os professores?

Mariana Cruz

Sabe-se da grande influência que a vida escolar tem no desenvolvimento de nossos filhos: é lá que eles irão conviver com seus pares, se tornarão cada vez mais autônomos e formarão aspectos significativos de sua personalidade. A cada fase na vida da criança o papel da escola parece mudar, mas sua importância continua a mesma. Um dos meios mais utilizados para promover uma aproximação entre os pais e a escola são as reuniões coletivas entre esses e os professores. Para entender um pouco mais sobre a relevância de tais encontros, entrevistei cinco pais de alunos (quatro mães e um pai) com filhos de diferentes idades, de diferentes escolas e de diferentes criações.
A pergunta inicial foi sobre a importância de tais reuniões entre pais e professores para o desenvolvimento de seus filhos. As respostas foram diversas.
Melissa Ferraz, mãe de Rosa Marina, de 11 anos, conta que sua filha mudou de escola recentemente e tal atitude foi despertada justamente pelo que pôde constatar no decorrer de algumas reuniões entre pais e professores: “comecei a perceber e a evidenciar que o discurso da antiga escola estava muito aquém da prática. As reuniões eram pautadas por uma máscara em que a escola mostrava-se muito atenta, muito aberta a novas propostas, a participações de pais, mas na realidade era um discurso vazio, que não transformava nada. Uma repetição de modelos e métodos. Com ajuda de outros pais e conversando com minha filha, pude definir a necessidade de uma nova escola. Na escola atual, já pude notar reflexos de uma boa relação entre a direção, professores, pais e alunos. Durante as reuniões o que se fala e questiona é ponto de transformação. Existem espaços de discussão em rede de e-mails, os assuntos se desenvolvem, os pais se relacionam melhor e as crianças mergulham nos projetos com entusiasmo”. Sobre tais reuniões, Melissa diz que “independente de uma criança ou de outra, se ela vai bem ou mal, está se falando da "alma" da escola, das relações e das trocas em que se efetiva todo um processo educacional. Acho, portanto, um espaço de apropriação por parte dos pais, pois nem sempre o que chega pelo olhar da criança é uma fotografia. Já que cada indivíduo, com suas particularidades, vai aprender de uma maneira, cabe saber como a escola lida com essas individualidades e como as trabalha. Além de ser o espaço para trocas, insights, críticas, construção coletiva”.
Alan Alencar, pai de Agatha, de 12 anos, considera as reuniões de “extrema importância”, pelo fato de possibilitarem saber o comportamento dos filhos fora do ambiente de casa e da família.
Adriana Lazaroni, mãe de Giovanna, de 6 anos, e de João Paulo, de 2, diz que ”através delas recebemos as mais variadas informações para que possamos tomar decisões! Contribuem para a formação do triângulo escola-pais-filhos! Ficamos mais perto de todos!”.
Renata Firpo, mãe de Mariana Fernanda, de 8 anos, e João Pedro, de 5, dá seu ponto de vista sobre a função efetiva das reuniões coletivas de pais: “de modo geral servem para apresentar o projeto a ser desenvolvido ou as atividades que já aconteceram no colégio. A importância no desenvolvimento é pouca, pois não trata de casos individuais. Por outro lado, possibilita aos pais um acompanhamento maior da vida escolar das crianças, realizando tarefas extras e complementares em casa, pois nem sempre o aluno relata em casa o que se passa na escola. Nesse ponto, a reunião ajuda no desenvolver da criança, na medida em que pode aumentar o interesse dela nos projetos educacionais, diante do apoio e incentivo dos pais”.
Para Janete Krueger, mãe de Ana Clara, de 7 anos, e de Bernardo, de 4, tais reuniões mostram um lado diferente dos filhos que nem sempre é captado pelos pais, na medida em que estes “veem seus filhos através de seus ‘óculos’, sua experiência dentro de casa... E é nessa oportunidade que temos contato com outro aspecto da criança. Temos um retorno de como é a criança como ‘individuo social’. É a chance de vermos sem os nossos ‘óculos’ do dia a dia. Já me deparei com características desconhecidas por mim e que me ajudaram a alterar o meu comportamento. Por exemplo: meu filho mais novo tem atitudes com a irmã que não são manifestadas com os amigos, e o mesmo acontece com a irmã. Esse retorno me norteia quanto a repreender ou estimular determinadas atitudes. Dá uma visão que não tenho dentro de casa e que, mesmo que a criança manifeste na nossa frente em ambientes externos, não percebemos por já termos nosso conceito formado pela experiência dentro de casa. (...) Foi numa dessas reuniões que pude perceber certas dificuldades de meus filhos. Coisas que não via porque simplesmente mãe entende tudo que o filho diz antes mesmo dele terminar a frase. Mãe antecipa. Com a minha filha, eu nunca havia percebido que ela trocava alguns fonemas – por ser uma troca discreta, não acontecer sempre e eu antecipar o que ela está dizendo –; deixei de perceber uma coisa que no momento da escrita se manifestou”.
Em relação à dinâmica de tais reuniões, foi perguntado como é ouvir o relato de outros pais nessas ocasiões.
Para Alan, a reunião é um espaço que se tem para falar e ouvir sobre sua filha e comparar as relações alheias: “os pais, por mais que possam parecer experientes – com mais de um filho, digo –, sempre têm uma novidade a cada dia, sinais dos tempos que mudam com tanta rapidez”.
De acordo com Melissa, “muitas vezes tais reuniões viram terapia de grupo e, em outros casos, quando  existem pais demasiadamente carentes, que só sabem falar do próprio umbigo, a coisa fica complexa e desgastante”. Apesar de tais pontos negativos, ela diz acreditar muito “na possibilidade de transformação pela troca entre as pessoas; e, de fato, muitas vezes o seu problema se torna diminuto diante de outros problemas tão graves, tão mais complexos. É uma oportunidade de ajuda também para todos”.
Renata toca em um ponto pouco discutido: “às vezes os relatos não correspondem à realidade dos fatos. Muitos pais não dividem experiências negativas e podem dar a impressão pessoal de que nada de errado acontece ou já aconteceu. Por outro lado, às vezes há uma mesma reclamação comum a vários pais, mas nem sempre são repassadas à professora, ficando apenas como papo de corredor”.
Adriana diz não saber se em todas as escolas é como na de sua filha, mas pelo que presencia “os assuntos tratados nas reuniões de pais são sempre: método de ensino; planejamento; como a escola está trabalhando; o que se espera dos alunos; como nós, pais, devemos contribuir para que o objetivo seja alcançado; o que e como a criança deve alcançar; e por aí vai. Tratamos do todo! Depois, de acordo com a necessidade de cada um, existe a possibilidade de solicitar uma reunião sobre o seu filho ou até mesmo a escola chamar para tratar especificamente do seu filho. Por isso, acredito piamente que os dois tipos são muito importantes: um complementa o outro. Em uma reunião coletiva podemos perceber melhor os professores, identificar quais são os problemas coletivos e, a partir daí, identificar quais possam ser os só do seu filho. Todos os relatos apresentados, problemas ou méritos, servem para contribuir, por isso não os encaro como invasão e sim como uma troca para o crescimento. É nesse momento que devemos extrair do coletivo, sempre com bom senso, um norte para o seu individual, pois talvez o que você pensa ser um problema único possa ser uma fase natural da criança ou até mesmo um problema da turma. A troca de informação é sempre bem-vinda. A escola não deve encarar o aluno somente com a visão do grupo, e nós, pais, não podemos achar que nossos filhos são ímpares... Por isso é importante uma força constante! Trazer para bem perto tudo o que acontece dentro da comunidade escolar”.
Janete ressalta o fato de que educar é um aprendizado para os filhos tanto quanto para os pais, e brinca: ”quando minha filha nasceu senti muita falta de um manual de instrução (...). Vivemos numa era em que há oferta de cursos de formação para tudo, mas não há curso de formação para pais! Com o passar do tempo, fui percebendo que essa formação se dá com o curso da própria vida. Só a vivência nos ensina a ser pais”. E para que o aprendizado de tal função seja pleno, Janete acredita que a troca de experiências é fundamental: “ver que o que acontece com nosso filho também acontece com outra criança dá um referencial para a nossa experiência individual”. Ela então dá exemplos de dúvidas que podem ser tiradas através desse intercâmbio: “é comum a criança espelhar a letra? A troca de fonemas indica sempre a necessidade de um tratamento fonoaudiológico? (...) É na troca diária que tenho com outros pais, desde quando levo as crianças à pracinha até quando as busco na escola, que vou formando meu conhecimento sobre como educar. Vou tendo referências”.
E sobre a importância de o pai ter aproximação com os professores. O que eles pensam?
Renata vê tal convivência como importante, pois muitas vezes “o professor fica mais tempo com a criança do que os próprios pais, que de modo geral trabalham 8 horas por dia, então a aproximação e a troca de comunicações são essenciais para a parceria entre escola e família, que trará efeitos positivos ao aluno”. Adriana Lazaroni parece concordar com tal opinião ao afirmar que os professores “fazem parte da comunidade escolar e do processo”. Janete também considera tal troca fundamental, “porque a educação se dá entre família e escola. Não é um simples delegar. É um processo continuo”.
Alan considera que “os professores são uma extensão da educação que o filho recebe. Por isso, a interação entre essas partes não só é importante como indispensável, se estende da escola para casa e vice-versa”.
Melissa mostra um ponto de vista diferente; ela não acha que isso seja uma regra, visto que, “se o processo entre o aluno e o professor vai bem, não vejo razão para a aproximação, pois muitas vezes, dependendo da faixa etária do aluno, a aproximação pode até atrapalhar. Outras vezes essa aproximação gera conforto, alegrias, trocas e novidades”.
Por fim, perguntei se teriam para relatar algum caso curioso que tenha acontecido em alguma dessas reuniões.
Adriana lembra-se de dois casos que podem ilustrar bem o que a mobilização dos pais pode fazer: “já tivemos reuniões provocadas por nós, pais, através de trocas de informações por e-mails! As crianças ficam período integral na escola; portanto, almoçam lá. E começamos a perceber, pelo relato dos pequenos, que a comida que vinha sendo servida fugia completamente do que desejávamos e pagávamos. O movimento começou através da troca de e-mails e a escola agendou uma reunião com os pais da turminha da minha filha. Conseguimos trocar o prestador de serviço. Uma atitude coletiva, mas que serviu para o indivíduo Giovanna! Em outro momento, a Giovanna precisava tomar um remédio e a enfermeira trocou-o com o de outra aluna; despediu-se a enfermeira – um movimento isolado, mas que serviu para o grupo!
Janete também relata um caso que aconteceu com ela: “Na ultima reunião da minha filha, a escola propôs que os pais formassem grupos e discutissem a questão do “limite”. Foi muito interessante ver como cada família se manifesta nessa construção e que, muitas vezes, os limites são ultrapassados por nós, pais. A gente educa pelo exemplo que dá; nossos filhos são um pouco de nós, e nós reproduzimos nossos pais (mais até do que desejamos). Discutir isso em grupo chamou a atenção para atitudes diárias que temos, como: estacionar em fila dupla na porta da escola. Como fazer seu filho respeitar o próximo se você não percebe que desrespeita ao atrapalhar o trânsito e contribuir para que outra pessoa se atrase porque você parou o carro no primeiro lugar que viu? Essa reunião foi a primeira em que todos os pais, de diferentes turmas, discutiram e interagiram trocando suas vivências. Nela pude perceber uma coisa que se dá rotineiramente na minha frente e eu não via: a educação é fruto de um processo coletivo, não é uma relação só de cada família com seu filho; é também entre as famílias que se relacionam. O ser social se constrói por meio da relação com seus pares e o meio ambiente. Isso a gente até pode saber, independente de ser pai ou não; o difícil é perceber isso no dia a dia, na vida prática. Essa reunião nos estimulou a criar um grupo virtual de pais na turma da minha filha; resultado concreto da troca que se deu através desse grupo: a escola propôs um passeio de Dia das Crianças em que o programa era cinema e McDonald’s, por R$65,00, em um shopping no Recreio (a escola fica na Zona Sul). Grande parte dos pais não gostou do todo que compunha o passeio (seja pelo programa, distância ou preço). Foi por iniciativa de uma mãe que comentou sua discordância  nesse grupo virtual, e encontrou respaldo nos outros pais, que o passeio foi alterado”.http://by152w.bay152.mail.live.com/mail/clear.gif
Melissa, apesar não ter nenhum fato muito significativo para ilustrar, fala sobre a ansiedade que fica durante essas reuniões e, de forma sensível, consegue traduzir em palavras a expectativa que tais encontros geram e o que eles significam (ou deveriam significar): “Como se ali fosse o grande momento de resolver todas as questões inerentes ao aprendizado: e o teor educacional, as abordagens, a metodologia, os projetos, caminhos... E me vem sempre uma onda de ideias sobre o real significado de educação, da real escola. E daí se esbarra nos muros que esta possui, nos indivíduos e na questão da temporalidade”.
Tais depoimentos de pais tão engajados, comprometidos e envolvidos no processo de educação de seus filhos talvez estimulem uma reflexão acerca do tema em questão (provavelmente de forma mais eficaz do que se tivesse optado por escrever uma matéria teórica sobre o assunto). Tais relatos falam por si sós. E você, caro leitor, se quiser mandar sua opinião e só enviar para o fórum Discutindo sobre a importância da reunião entre pais e professores na escola.
Agradeço a colaboração dos pais Alan Alencar, Adriana Lazaroni, Janete Krueger, Melissa Ferraz e Renata Firpo na realização desta matéria e aproveito para parabenizá-los pela participação efetiva que têm na educação e formação de seus filhos.
Publicado em 3 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dicas de Games online - MATEMÁTICA

Jogos de Matemática
4 em linha
A Torre de Hanoi
Borboletas
Canibais x Monges
Dominó
Fórmula Mágica
Hex
Jogo do 24
Jogo do Galo
Jogo dos Divisores
Jogo dos Recordes
Numeração Chinesa
Numeração Egípcia
Numeração Romana
Números amigos
Números perfeitos
Números Primos
Quadrado Mágico
Quebra tolas-trânsito
Sudoku
Tangram
Teorema de Pitágoras
Tetris
Trânsito

Fonte: Matdivertida

Presidente ou Presidenta?

Tanto faz. As duas formas, linguisticamente, são corretas e plenamente aceitáveis.
A forma PRESIDENTA segue a tendência natural de criarmos a forma feminina com o uso da desinência “a”: menino e menina, árbitro e árbitra, brasileiro e brasileira, elefante e elefanta, pintor e pintora, espanhol e espanhola, português e portuguesa.
Na língua portuguesa, temos também a opção da forma comum aos dois gêneros: o artista e a artista, o jornalista e a jornalista, o atleta e a atleta, o jovem e a jovem, o estudante e a estudante, o gerente e a gerente, o tenente e a tenente.
Há palavras que aceitam as duas possibilidades: o chefe e A CHEFE ou o chefe e A CHEFA; o parente e A PARENTE ou o parente e A PARENTA; o presidente e A PRESIDENTE ou o presidente e A PRESIDENTA…
O problema deixa, portanto, de ser uma dúvida simplista de certo ou errado, e passa a ser uma questão de preferência ou de padronização. No Brasil, é fácil constatar a preferência pela forma comum aos dois gêneros: a parente, a chefe e a presidente. É bom lembrar que a acadêmica Nélida Piñon, quando eleita, sempre se apresentou como a primeira PRESIDENTE da Academia Brasileira de Letras. Patrícia Amorim, desde sua eleição, sempre foi tratada como a presidente do Flamengo.
É interessante observar também que formas como CHEFA e PARENTA ganharam no português do Brasil uma carga pejorativa.
É possível, porém, que a nossa Dilma prefira ser chamada de PRESIDENTA seguindo nossa vizinha Cristina, que gosta de chamada na Argentina de LA PRESIDENTA.

Os sete pecados capitais dos educadores

Augusto Cury

1)Corrigir publicamente: Jamais deveria expor o defeito de uma pessoa, por pior que ela seja, diante dos outros. Valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa.

2)Expressar autoridade com agressividade: Os que impõem sua autoridade são os que têm receio das suas próprias fragilidades. Para que se tenha êxito na educação, é preciso considerar que o diálogo é uma ferramenta educacional insubstituível.

3)Ser excessivamente crítico: obstruir a infância da criança. Os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Os fracos impõem suas idéias à força, os fortes as expõem com afeto e segurança.

4)Punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações: A maturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrige alguém. Jamais coloque limites sem dar explicações. Use primeiro o silêncio e depois as idéias. Diga o quanto ele é importante, antes de apontar-lhe o defeito. Ele acolherá melhor suas observações e o amará para sempre.

5)Ser impaciente e desistir de educar: É preciso compreender que, por trás de cada jovem arredio, agressivo, há uma criança que precisa de afeto. Todos queremos educar jovens dóceis, mas são os que nos frustram que testam nossa qualidade de educadores. São os filhos complicados que testam a grandeza do nosso amor.

6)Não cumprir com a palavra. As relações sociais são um contrato assinado no palco da vida. Não quebre. Não dissimule suas reações. Seja honesto com os educandos. Cumpra o que prometer. A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.

7)Destruir a esperança e os sonhos. A maior falha que podem cometer é destruir a esperança e os sonhos dos jovens. Sem esperança não há estradas, sem sonhos não há motivação para caminhar. O mundo pode desabar sobre uma pessoa, ela pode ter perdido tudo na vida, mas, se tem esperança e sonhos, ela tem brilho nos olhos e alegria na alma.

CURSOS


Para quem estiver interessado, o site é http://www.sosprofessor.com.br/

A Palmada


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Aprendemos

Aprendemos...
Que é errando que se aprende.
Que envelhecer não significa deixar de ser criança.
Que o silêncio é a melhor resposta

quando ouvimos uma bobagem.
Que ganhar dinheiro não é prioridade
em toda profissão.
Que os sonhos estão aí para serem alcançados.
Que amigos a gente conquista mostrando o que somos.
Que os verdadeiros amigos estão ao nosso lado até o fim.
Que a maldade muitas vezes se esconde
atrás de uma bela face
Que não se espera a felicidade chegar,
mas se procura por ela.
Que quando pensamos saber tudo,
descobrimos que temos muito a aprender.
Que a natureza é a coisa mais bela da vida.
Que o amor significa se dar por inteiro.
Que um dia, pode ser mais importante do que muitos anos.
Que se pode confessar com a lua.
Que é possível viajar além do infinito.
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde.
Que um gesto de amor sempre aquece o coração.
Que o julgamento alheio não é importante.
Que devemos ser criança a vida toda.
Que é preciso cultivar a paz interior.
Que sonhar é preciso.
E que o mais importante de tudo....
É que somos livres para fazer nossas escolhas.
Aproveite ao máximo cada instante de sua vida,
pois ela é única...
E se deixarmos de colocar o que aprendemos em prática,
todas as lições serão serão em vão.
(Desconheço a autoria)

A boneca

De Olavo Bilac

Deixando a bola e a peteca,
com que inda há pouco brincavam,
por causa de uma boneca,
duas meninas brigavam.


Dizia a primeira: - É minha!
-É minha! a outra gritava;
e nenhuma se continha,
nem a boneca largava.


Quem mais sofria (coitada!)
era a boneca. Ja tinha
toda a roupa estraçalhada,
e amarrotada a carinha.


Tanto puxavam por ela,
que a pobre rasgou-se ao meio,
perdendo a estopa amarela
que lhe formava o recheio.


E, ao fim de tanta fadiga,
voltando à bola e à peteca,
ambas, por causa da briga,
ficaram sem a boneca...

A criança bipolar

A infância é uma época estratégica da vida do ser humano. É quando se dá um grande desenvolvimento físico, psicológico e mental, concomitantemente ao aprendizado básico indispensável para todos os que se seguirão por toda vida.


A relevância da observação dos comportamentos e aquisições intelectuais da criança e do adolescente feita por pais e professores é imensa, mas não substitui uma avaliação médica e de especialistas em diferentes áreas, quando estes comportamentos fogem da freqüência e intensidade usuais.

Até alguns anos atrás, poucas eram as doenças mentais reconhecíveis na infância. Com o aumento das pesquisas e o incremento de estudos científicos, os diagnósticos de vários transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes tornaram-se possíveis e decorrentes dessa nova condição. Aparentemente, os casos se multiplicaram numericamente e se fizeram mais conhecidos pela população em geral.

Entre esses, o Transtorno do Déficit da Atenção, com ou sem hiperatividade (TDA/H) e o Transtorno do Humor Bipolar (THB) têm sido objeto de muitos estudos em vários países, pois ocasionam forte impacto sobre a vida escolar, pessoal, familiar e mais tarde profissional do paciente, especialmente quando não devidamente diagnosticados e tratados por equipes de profissionais especializados.

O TDA/H, hoje muito comentado em função da amplitude da divulgação na imprensa, é um exemplo. Conhecido dos médicos há várias décadas, com o advento das especializações, como por exemplo a psicopedagogia, passou a ser objeto de estudo multidisciplinar e os resultados dos tratamentos têm sido, em sua grande parte, de enorme valia, tanto para os pacientes, como para suas famílias e a sociedade.

Os prejuízos decorrentes da falta de diagnóstico e do acompanhamento médico e psicopedagógico vão do fracasso escolar à evasão, da baixa auto-estima à depressão, da rejeição do grupo ao isolamento, às drogas, à gravidez precoce, à promiscuidade sexual e marginalização, entre outras.

Infelizmente, a especulação por parte de alguns profissionais não credenciados para tal avaliação, ou ainda, diagnóstico feito por pessoas leigas, tem trazido mais problemas aos que já sofrem com esse transtorno. Generalizou-se, irresponsavelmente, por exemplo, chamar de TDA/H a toda e qualquer manifestação de inquietação, distração ou falta de limite que as crianças e jovens apresentem na escola ou em casa. Como conseqüência, casos em que o transtorno não existe de fato aparecem em toda parte, banalizando um problema sério e de grande repercussão sobre a vida dos pacientes reais e sua família. Estes falsos diagnósticos são geralmente feitos à base de “achismos” como o preenchimento de questionários ou testes sem qualquer base científica ou mesmo ao sabor das conveniências pessoais de alguns adultos, que pensam dela tirar proveito, seja para justificar uma educação deficiente em limites, normas e atenção à criança ou, ainda, a outros interesses particulares.

O Transtorno de Humor Bipolar em crianças é outro exemplo de doença psiquiátrica que exige seriedade no encaminhamento, pois, nessa faixa etária, a sua sintomatologia pode se apresentar de forma atípica.

Assim, ao invés da euforia seguida da depressão dos adultos, nas crianças surge a agressividade gratuita seguida de períodos de depressão. Nestas, o curso do Transtorno é também mais crônico do que episódico e sintomas mistos com depressão seguida de “tempestades afetivas”, são comuns. Além disso, a mudança é rápida e pode acontecer várias vezes dentro de um mesmo dia, como por exemplo: alterações bruscas de humor (de muito contente a muito irritado ou agressivo); notável troca dos seus padrões usuais de sono ou apetite; excesso de energia seguida de grande fadiga e falta de concentração. Esses são alguns sintomas que devem ser observados.

Os diagnósticos de transtornos da saúde mental são difíceis mesmo para os especialistas, pois é alta a prevalência de comorbidades, ou seja, o aparecimento de dois transtornos simultaneamente, o que exige conhecimento, experiência e observação minuciosa do médico e da equipe envolvida, como psicólogos e psicopedagogos.

É importante salientar ainda que estes transtornos afetam seriamente o desenvolvimento e o crescimento emocional dos pacientes, sendo associados a dificuldades escolares, comportamento de alto risco (como promiscuidade sexual e abuso de substâncias), dificuldades nas relações interpessoais, tentativas de suicídio, problemas legais, múltiplas hospitalizações, etc.

Os diagnósticos devem sempre ser realizados por médicos psiquiatras ou neurologistas em conjunto com psicopedagogos, que ao diagnosticarem e acompanharem a criança, se preocupam em dar também orientações à família e à escola.

Minimizar esses transtornos só piora suas conseqüências e prejudica o paciente. Somente especialistas podem afastar e esclarecer as dúvidas e não é exagero ser cuidadoso quando se trata da vida, saúde e futuro dos nossos filhos!

Maria Irene Maluf
Pedagoga especialista em Psicopedagogia

BIRA E BETO

Os sapatinhos encantados

ERA UMA VEZ uma mulher muito bonita que dava estalagem e a todos os almocreves que lá iam perguntava se tinham visto uma mulher mais bonita do que ela. Ela tinha uma filha mais bonita do que ela e tinha-a fechada para ninguém a ver. Disse-lhe um dia um almocreve: «Ainda agora ali vi uma mulher mais bonita a uma janela a pentear-se.» «Ai! Era a minha filha; pois vou mandar matá-la.»
E mandou dois criados matá-la a um monte e ela disse-lhes que a não matassem, que a deixassem, que prometia não tornar a casa. Os criados tiveram dó dela e deixaram-na. Ela foi indo e chegou a uma serra e viu uma casa; era noite; pediu se a acolhiam e não achou ninguém. Entrou para dentro e fez a ceia, e assim que a acabou de fazer, escondeu-se; nisto chegaram ladrões que vinham de fazer um roubo e, depois que viram a ceia feita, começaram a dizer: «Ai! Quem nos dera saber quem é que fez a ceia. Se por aí está alguém, apareça.»
E ela apareceu-lhes e contou-lhes a sua sorte, coitadinha, e eles disseram: «Agora não se aflija; há-de ficar connosco e fazemos a atenção que você é nossa irmã.» Daí por diante os ladrões lá iam para os seus roubos e ela ficava sempre; eles estimavam-na muito e tratavam-na.
Ia uma velhota a casa da mãe dela que andava sempre em recados por muitas terras e a mãe dela disse-lhe: «Você, como anda por muitas terras, diga-me se já viu uma cara mais linda do que a minha.»
E ela disse-lhe: «Vi, vi uma rapariga que ainda era mais linda que você em tal banda.» «Você quando vai para lá? Quero que lhe leve uns sapatos.» E deu uns sapatos à velha e disse-lhe: «Leve-lhos e diga-lhe que é a mãe que lhos manda; mas ela que os calce antes de você de lá sair; eu quero saber de certo que ela os calça; olhe que eu pago-lhe bem.»
A mulher levou os sapatos à filha; chegou lá e disse-lhe: «Aqui tem esses sapatos que lhe manda a sua mãe.» Ela disse-lhe: «eu não quero cá sapatos nenhuns; meus irmãos dão-me quantos sapatos eu quiser; não os quero.»
A velha ateimou tanto com ela que ela pegou neles; calçou um, fechou-se um olho; calçou outro, fechou-se-lhe o outro olho e ela caiu morta. Depois vieram os ladrões, choraram muito ao pé dela, lastimaram muito a morte dela e depois disseram: «Esta cara não há-de ir para debaixo da terra; levemo-la num caixão à serra de tal banda que vem lá o filho do rei à caça para ele ver esta flor.»
Depois levaram-na a esse sítio; veio o filho do rei e viu-a e achou-a muito bonita e depois tirou-lhe um sapato e ela abriu um olho, tirou-lhe outro, abriu outro olho e ficou viva. E ele então levou-a para casa e casou com ela e foram visitar a bêbeda da mãe e esta ainda depois mesmo a queria mandar matar, mas não o conseguiu.

COELHO, Adolfo, «Contos populares portugueses»