Adriana e Aline

Quem vier, de onde vier, venha em paz!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Computadores e Internet


"...o que se sabe há muito tempo é que computadores e internet sozinhos não geram resultados. Alguns fatores importantes precisam ser levados em conta: a atual divisão dos tempos das aulas, a falta de conexão entre as disciplinas e destas com a realidade do aluno não só desmotivam, como fazem qualquer investimento em tecnologia virar um grande elefante branco. 
A entrada da tecnologia nas escolas deve estar associada a mudanças no atual formato do aprendizado, que já não atrai mais o aluno conectado." 
(Rubem Saldanha - Revista A Rede)

Linhas Pedagógicas

Linhas pedagógicas

Você está procurando uma boa escola para matricular seu filho? Tem dúvidas sobre as metodologias de ensino aplicadas por cada uma? Atualmente, as escolas passam por profundas alterações em suas propostas, baseadas em diferentes concepções de aprendizagem difundidas ao longo do século 20.

É de fundamental importância saber que existem diferentes linhas pedagógicas que vêm apresentando-se como alternativas ao método tradicional. Construtivista, Montessoriana, Waldorf ou Tradicional, conheça agora as principais correntes pedagógicas adotadas pelas escolas.

Construtivista
Montessoriana
Waldorf
Tradicional

Linha Construtivista

Inspirado nas idéias do suíço Jean Piaget (1896- 1980), o método procura instigar a curiosidade, já que o aluno é levado a encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas.
Uma aluna de Piaget, Emilia Ferrero, ampliou a teoria para o campo da leitura e da escrita e concluiu que a criança pode se alfabetizar sozinha, desde que esteja em ambiente que estimule o contato com letras e textos.
O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.
Noções como proporção, quantidade, causalidade, volume e outras, surgem da própria interação da criança com o meio em que vive. Vão sendo formados esquemas que lhe permitem agir sobre a realidade de um modo muito mais complexo do que podia fazer com seus reflexos iniciais, e sua conduta vai enriquecendo-se constantemente. Assim, constrói um mundo de objetos e de pessoas onde começa a ser capaz de fazer antecipações sobre o que irá acontecer.
O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.
As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, portanto a escola não é considerada rígida.
Existem várias escolas utilizando este método. Mais do que uma linha pedagógica, o construtivismo é uma teoria psicológica que busca explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do individuo no decorrer de sua vida.


Linha Montessoriana

Criada pela pedagoga italiana Maria Montessori (1870-1952), a linha montessoriana valoriza a educação pelos sentidos e pelo movimento para estimular a concentração e as percepções sensório-motoras da criança.
O método parte da idéia de que a criança é dotada de infinitas potencialidades. Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino.
Maria Montessori acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter a capacidade de amar.
As escolas montessorianas incentivam seus alunos a desenvolver um senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado e adquirir autoconfiança. As instituições levam em conta a personalidade de cada criança, enfatizando experiências e manuseios de materiais para obter a concentração individual e o aprendizado. Os alunos são expostos a trabalhos, jogos e atividades lúdicas, que os aproximem da ciência, da arte e da música.
A divisão das turmas segue um modelo diferente do convencional: as crianças de idades diferentes são agrupadas numa mesma turma. Nessas classes, alunos de 5 e 6 anos estudam na mesma sala e seguem um programa único. Posteriormente eles passam para as turmas de 7 e 8, em seguida para as de 9 e 10, e, finalmente alcançam o último estágio, que agrega jovens de 11,12,13 e 14 anos. Até os 10 anos, os alunos têm aulas com um único professor polivalente, enquanto nas salas de 11 a 14, esse professor ganha a companhia de docentes específicos para cada disciplina.
Os professores dessa linha de ensino são guias que removem obstáculos da aprendizagem, localizando e trabalhando as dificuldades de cada aluno. Sugerem e orientam as atividades, deixando que o próprio aluno se corrija, adquirindo assim maior autoconfiança.
A avaliação é realizada para todas as tarefas, portanto, não existem provas formais.

Linha Waldorf
A Pedagogia Waldorf se baseia na Antroposofia (gr.: antropos = ser humano; sofia = sabedoria), ciência elaborada por Rudolf Steiner, que estuda o ser humano em seus três aspectos: o físico, a alma e o espírito, de acordo com as características de cada um e da sua faixa etária, buscando-se uma perfeita integração do corpo, da alma e do espírito, ou seja, entre o pensar, o sentir e o querer.
Foi criada em 1919 na Alemanha e está presente no mundo inteiro. O ensino teórico é sempre acompanhado pelo prático, com grande enfoque nas atividades corporais, artísticas e artesanais, de acordo com a idade dos estudantes. O foco principal da Pedagogia Waldorf é o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direção às suas vidas.
Tanto o aprimoramento cognitivo como o amadurecimento emocional e a capacidade volitiva recebem igual atenção no dia a dia da escola. Nessa concepção predomina o exercício e desenvolvimento de habilidades e não de mero acúmulo de informações, cultivando a ciência, a arte e os valores morais e espirituais necessárias ao ser humano.
O currículo, que se orienta pela lei básica da biografia humana, os setênios – ciclos de sete anos- (0-7/ 7-14/ 14-21) oferece ricas vivências, alternando as matérias do conhecimento com aquelas que se direcionam ao sentir e agir. Não há repetência, justamente para que as etapas de aprendizagem possam estar em sintonia com o ritmo biológico próprio de cada idade.
No primeiro ciclo (0-7), a ênfase é no desenvolvimento psicomotor, essa fase é dedicada principalmente às atividades lúdicas, ela não inclui o processo de alfabetização. O segundo ciclo (7-14), que corresponde ao ensino fundamental, compreende a alfabetização e a educação dos sentimentos, para que os alunos adquiram maturidade emocional. Nesta fase, não existe professores específicos para cada disciplina, mas sim um tutor responsável por todas as matérias, que acompanha a mesma turma durante os sete anos. O tutor é uma referência de comportamento e disciplina para que o aluno possa se espelhar.
Já no terceiro ciclo, equivalente ao ensino médio (14-21), o estudante está pronto para exercitar o pensamento e fazer uma análise crítica do mundo. As disciplinas são dividas por épocas, em vez de ter aulas de diversas disciplinas ao longo do dia ou da semana, o estudante passa quatro semanas vendo uma única matéria. Nessa fase entram os professores especialistas, mas as classes continuam com um tutor.
A avaliação dos alunos é baseada nas atividades diárias, que resultam em boletins descritivos. O progresso dos alunos é exposto detalhadamente em boletins manuscritos, nos quais são mencionadas as habilidades sociais e virtudes como perseverança, interesse, automotivação e força de vontade. Como conseqüência, o jovem aluno tem grandes chances de se tornar um adulto saudável e equilibrado capaz de agir com segurança no mundo.

Linha Tradicional
A linha tradicional de ensino teve a sua origem no século XVIII, a partir do Iluminismo. O objetivo principal era universalizar o acesso do indivíduo ao conhecimento. Possui um modelo firmado e certa resistência em aceitar inovações, e por isso foi considerada ultrapassada nas décadas de 60 e 70.
As escolas que adotam a linha tradicional acreditam que a formação de um aluno crítico e criativo depende justamente da bagagem de informação adquirida e do domínio dos conhecimentos consolidados.
Não há lugar para o aluno atuar, agir ou reagir de forma individual. Não existem atividades práticas que permitem aos alunos inquirir, criar e construir. Geralmente, as aulas são expositivas, com muita teoria e exercícios sistematizados para a memorização.
O professor é o guia do processo educativo e exerce uma espécie de “poder”. Tem como função transmitir conhecimento e informações, mantendo certa distância dos alunos, que são “elementos passivos”, em sala de aula.
As avaliações são periódicas, por meio de provas, e medem a quantidade de informação que o aluno conseguiu absorver.
São escolas que preparam seus alunos para o vestibular desde o início do currículo escolar e enfatizam que não há como formar um aluno questionador sem uma base sólida, rígida e normativa de informação.

Leitura que vem do berço

Especialistas dizem que ler para filhos a partir dos 6 meses melhora a cognição

Ler ou não ler para o bebê, eis uma questão que David Dickinson, doutor em educação pela Universidade de Harvard, e Perri Klass, pediatra, escritora e professora de pediatria e jornalismo da Universidade de Nova York, garantem saber responder. Sim, devese ler e muito, a partir dos 6 meses de vida, mas sem deixar os olhinhos do neném arregalados com a maluquice de Hamlet ou as desgraças de Rei Lear. 
A recomendação dos superespecialistas é incluir, em meio à troca de fraldas, mamadeiras, passeios e choros, o folhear diário das páginas de um livro apropriado para aquela faixa etária, cheio de cores e figuras (hoje não faltam opções nas prateleiras). Para eles, esta é a melhor forma de desenvolver a inteligência da criança e a sua linguagem oral e escrita, preparandoa para a alfabetização e aprimorando sua capacidade de aprender.
Que fique claro: a ideia não é transformar o bebê num minigênio. Os especialistas, que apresentaram pesquisas científicas na Bienal de São Paulo na semana passada provando como a leitura interfere no desenvolvimento cognitivo da criança, querem prazer e interação ao som da narrativa dos pais. Os benefícios desse ritual são insubstituíveis.
Não adianta só conversar com a criança ou passear descrevendo as paisagens nem inventar aventuras. Tem que ler, mostrar formas e cores e fazer perguntas ao bebê o tempo todo, estimulando sua participação.
Dickinson e Perri vieram para cá a convite da ONG Instituto Alfa e Beto (IAB), em São Paulo, e abraçaram a iniciativa da criação de uma biblioteca para bebês e o lançamento de uma cartilha com dicas das técnicas de leitura mais adequadas para cada fase. O objetivo é tornar os livros mais acessíveis também às classes sociais mais baixas, porque Oliveira acredita que o ciclo vicioso da pobreza também passa pelo ciclo vicioso da transmissão da linguagem. O IAB criou ainda um catálogo com 600 títulos (sim, 600, uma média de dois por semana, dos 6 meses aos 6 anos, cerca de cem por cada faixa etária) para serem lidos antes do ingresso ao ensino fundamental. O objetivo não é listar os melhores livros, mas, sim, dar uma ideia para os pais dos tipos de publicação adequados para a idade de seus filhos.
— O texto escrito possui uma variedade de vocabulário e uma complexidade sintática que não é encontrada na linguagem oral, nem mesmo na fala informal de adultos com curso superior — explica o fundador do IAB, João Batista Oliveira, psicólogo com PhD em Educação. — Todos os estudos longitudinais mostram que expor a criança desde cedo aos livros contribui para o desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, para o seu sucesso escolar. A formação do hábito de leitura também é importante para que a criança se torne um ávido leitor, outro fator fortemente associado ao sucesso escolar.
Pelas pesquisas americanas apresentadas, das 12.500 crianças que fizeram teste de vocabulário aos 5 anos, as de famílias mais pobres tinham quase um ano de atraso; as que já tinham hábito da leitura em família aos 3 anos aumentaram o vocabulário em pelo menos dois meses; e visitas mensais à biblioteca aumentaram o vocabulário de todas elas em 2,5 meses.
Essa riqueza no repertório vai se refletir no desempenho escolar e no comportamento social. “Crianças que se atrasam nas séries iniciais correm o risco de permanecer atrasadas ao longo do processo escolar”, definiu Perri em sua apresentação.
 Além disso, para a pediatra, “ler para os filhos desde cedo ajuda a criança a ver os livros como fonte de prazer e de informação”.
O neurofisiologista Mario Fiorani, do laboratório de Fisiologia da Cognição do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, com pós-doutorado no Instituto Nacional de Saúde Mental, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, não é, de forma alguma, contra o incentivo à leitura. Mas acredita que não é só a educação formal que molda as pessoas.
— Só as habilidades linguísticas não bastam, mas a leitura pode ampliar horizontes de forma inimaginável.
Isso depende, porém, de senso crítico, que pode ser inato (natural do indivíduo) ou aprendido informalmente no convívio familiar. Caso contrário, a leitura pode produzir um leitor ‘compulsivo’, sem grandes ganhos.
Sobre o desenvolvimento da cognição, Fiorani diz que a leitura amplia o horizonte no campo da linguagem.
— Mas os aspectos cognitivos dependem de muitos outros fatores, tanto inatos quanto adquiridos. A leitura é um bom estímulo cognitivo para melhorar o conhecimento do mundo que nos cerca. Estimula a imaginação e o leitor pode parar para pensar no que está lendo quando quiser, o que permite uma melhor elaboração do conteúdo — afirma.
— Mas as pessoas podem desenvolver o hábito de leitura e aprimorá-lo em qualquer idade. O estímulo precoce só vai tornar tudo mais fácil. A leitura não é um fim, mas sim um meio.
O conhecimento é uma meta.
Fonte: Jornal O Globo, Saúde

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, os seres humanos se libertam em comunhão”.

Educar para transformar 

por Manuella Donato

Nadie libera a nadie, nadie se libera solo, los seres humanos se liberan en comunión (Paulo Freire)
Quando pensamos na construção de outro mundo, na transformação da ordem atual numa ordem mais justa, baseada em princípios de solidariedade e respeito às diversidades, sabemos que a educação é o principal caminho. Sim, a educação é a única forma pela qual poderemos realizar transformações verdadeiras e completas, porque é através dela que nos (re)formamos e mudamos o mundo a partir da nossa mudança. Nesse sentido, estamos numa grande e constante luta por uma educação de qualidade, apoiada em valores democráticos e não-mercadológicos.
No entanto, os processos formais de educação não são suficientes para a formação cidadã e cultural completa. As propostas de educação não-formal utilizam linguagem y formas de expressão distintas, mais flexíveis, que se adaptam às diversidades das pessoas y complementam a educação formal. Atividades que envolvem arte, esporte e outros meios alternativos de aprendizagem fazem parte das experiências do contexto não-formal que estimulam a criatividade e a produção de novas formas de conhecimento que contribuem para a formação e expressão de identidades culturais.
Colocar a educação não-formal em foco contribui para estimular o desenvolvimento da participação coletiva, criada a partir de processos dinâmicos para que seja cada vez mais transformadora; que seja uma inovação com plataforma sólida com o envolvimento de sujeitos que participam com base na sua cultura, num processo de educação que gera produção social inclusiva.
O rol de atuação dos movimentos e organizações, especialmente para os/as jovens, é de extrema relevância como parte da educação não-formal. Nesses espaços, eles e elas têm a oportunidade de desenvolver suas habilidades de trabalho em equipe e respeito à diversidade, bem como a formação cidadã com liderança. São espaços que propiciam, passo a passo, uma vivência que traz bases sólidas.
A educação não-formal tem o benefício de se adaptar às particularidades de grupos, regiões, dando uma liberdade essencial para a transformação individual y coletiva, favorecendo a diversidade e a riqueza humana.
O conceito de educação não-formal está na “construção” y tem diversas faces justamente por sua não-restrição, pelas muitas formas de apresentação e representação. Por isso está presente em documentos internacionais da ONU, UNESCO, OIT e EU, o que reforça o reconhecimento da sua importância para o desenvolvimento. Como um instrumento indispensável, devemos ter em conta sua utilização como meio transformador.
Portanto, devemos não apenas promover atividades de educação não-formal, colaborando diretamente com o processo de transformação social, justiça e inclusão, mas também lutar pelo reconhecimento formal dessa metodologia e suas vantagens como complemento à educação formal.
Sem dúvida que nessa luta não podemos esquecer que a América Latina uma das regiões que mais se estabeleceu em valores opressores. Além do conhecimento técnico e acadêmico, a educação deve contemplar um pensamento voltado ao desenvolvimento humano e social, adequando-se a natureza, crítico e contextualizado. Por isso é necessário entender a educação como um processo para além, como algo que liberta. A educação não é um processo unilateral, não é transmissão de informações, mas sim integração de conhecimentos.