Adriana e Aline

Quem vier, de onde vier, venha em paz!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O gato e a raposa




O gato e a raposa não privavam, em trato de amizade, mas de uma vez que o acaso os juntou deram em considerar que não eram tão desparecidos um com o outro, como se julgavam.
Ambos tinham cauda, embora a da raposa mais felpuda e mais calhada para gola de samarra, o que não era de bom tom lembrar à raposa... Ambos tinham o passo de bailarina em pontas. Ambos tinham olhos de farolim, para descortinar os recantos da noite. Ambos tinham artes de caça e vasto receituário de matreirices. Ambos sabiam, com vaidade, que valiam mais do que pesavam. Ambos tinham aos cães a mesma raiva.
Foi, aliás, a propósito de cães que a raposa e o gato, um dia, em que passeavam a par pelo campo, tiveram a seguinte conversa:
- Se uma matilha de cães nos perseguisse, o que é que tu farias? - perguntou a raposa ao gato.
- Nem me fales nesses monstros, que fico com o pêlo em pé - disse o gato. - Uma matilha? Bastava-me um cão só, para lhe fugir.
- Pois sim, mas como te escapavas? - insistiu a raposa.
- Escapava-me. Fugia. Safava-me. Debandava. Raspava-me. Sumia. Onde houvesse uma árvore para eu trepar era por ela acima que eu desaparecia da vista do cão - explicou o gato, todo arrepiado.
- Vejo que és um pouco simplório e covarde - comentou a raposa. - Pois eu tenho mil manhas e recursos para os afastar de mim. Um catálogo de estratégias, podes crer. A dificuldade está na escolha, quando chega a ocasião.
Logo por azar, surgiu a ocasião. Dois cães de caça correram sobre o gato e a raposa. Sentindo-os perto, o gato saltou para uma árvore e pôs-se a salvo.
Mas já eles corriam sobre a raposa.
Então o gato viu a raposa, que há pouco se gabava de dispor de tantos e tão variados expedientes contra a fúria dos cães, fugir a bom fugir, como qualquer coelho assustadiço. E, lá mais adiante, ser filada pelo rabo...
Não tardaria muito que enfeitasse uma gola de samarra.
Do seu providencial poleiro, o gato matutava que mais vale saber do que apregoar que se sabe.

Prédio Harmonioso



Tenho um vizinho que toca violino, e que bem que toca violino o meu vizinho. Mora no 1.º esquerdo.
Tenho outro vizinho que toca violoncelo, e que bem que toca violoncelo o meu vizinho. Mora no 2.º direito.
Tenho outro vizinho que toca piano, e que bem que toca piano o meu vizinho. Mora no 1.º direito.
Tenho outro vizinho que toca viola clássica, e que bem que toca viola o meu vizinho. Mora no 2.º esquerdo.
No rés-do-chão há uma loja de instrumentos musicais. A loja, durante o dia, está sempre cheia de música, porque nela vendem pianos, acordeons, violinos, violas, guitarras... eu sei lá que mais. Vendem e consertam. À noite, claro está, a loja descansa, mas os meus vizinhos encarregam-se da música do prédio, que fica só por conta deles.
Não tem mais andares o nosso prédio. É o rés-do-chão, o primeiro e o segundo. Então onde é que mora quem isto conta?
Onde é que eu moro, querem saber? Moro na escada, num canto escondido, e não me canso de ouvir música.
Quando oiço os meus vizinhos tocar, digo-lhes, em surdina, em segredo, como se eles pudessem ouvir: ?Certinhos! Certinhos! Muito certinhos!". É um prédio muito harmonioso.
Pelo meu lado, faço o que posso. Também toco, pois claro. Toco harpa. Sou a aranha da escada e toco harpa, quando os meus vizinhos já estão a dormir. Acredito que, em sonhos, eles devem ouvir-me.
Assim, o prédio harmonioso nunca conhece o silêncio.

António Torrado

Interatividade estimula o aprendizado

Várias escolas já adotaram alguns modelos de interatividade virtual para tornar o ensino mais atraente aos alunos. Marize Peixoto considera essa experiência positiva, mas destaca que o professor é indispensável para a orientação das informações que crianças e adolescentes recebem por novos canais, principalmente a internet.
- O acesso à rede abre um leque de possibilidades, mas tudo depende do objetivo do que é apresentado na sala de aula. Osalunos precisam do professor para guiá-los, até porque nem todas as informações que chegam pela internet são confiáveis - frisa.
Na Escola Rakel Rechuem, em Mesquita, a instalação de um quadro interativo fez professores perceberem uma maior participação de estudantes nas aulas. O coordenador Isaac Gonzaga de Oliveira explica que, como o equipamento tem acesso à internet, as atualizações das informações exibidas são constantes, o que deixa todos sempre antenados com as novidades.
- O equipamento começou a ser usado nas aulas de história, geografia, matemática e ciências, mas professores de outras disciplinas também o adotaram. A de literatura, por exemplo, apresenta vídeos do YouTube sobre grandes escritores - diz o coordenador.
O professor de geografia Walker Antero usa os recursos de touchscreen do quadro para explica os movimentos migratórios populacionais no mundo com dados atualizados este ano.
- Trabalhamos com imagens que os livros não têm, como gráficos em movimento e fotos recentes - explica.
Osalunos aprovam. Clara Rodrigues, de 14 anos, diz que "a tecnologia faz as aulas ficarem mais interessantes".
- A professora de biologia usou uma animação para explicar as divisões das células. Foi uma aula ótima - afirma.
Sua colega Estefanie Diana, de 15 anos, concorda:
- Estudar ficou mais legal. Na aula de história, a professora exibiu um vídeo sobre a tortura de escravos que me marcou muito.
No Colégio de Aplicação (CAP) José de Souza Herdy, em Duque de Caxias, a diretora Maura Marzocchi incentiva os estudantes a usar a tecnologia. A unidade tem uma parceria com o Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do governo federal. O órgão cedeu 25 bolsas de iniciação científica paraalunos do ensino médio, projetos de desenvolvimento de maquetes robóticas e laboratórios. Graças a essa contribuição, estudantes do 2º ano do ensino médio aprenderam a desenvolver um novo modelo de bafômetro.
- O que proponho no ensino é autonomia e responsabilidade. São benefícios para o resto da vida. A tecnologia é uma ferramenta e tanto para o desenvolvimento das crianças. Com ela, oaluno pode ser o autor do próprio aprendizado - afirma Maura.
Na Escola Padre Valério Pierpaoli, uma unidade do Santa Mônica Centro Educacional em Seropédica, o diretor Luís Manuel Parente diz que a tecnologia está bem inserida no projeto pedagógico.
- É surpreendente ver comoalunos absorvem duas ou três informações ao mesmo tempo utilizando recursos de audiovisual, da internet e até do celular. AEscola incentiva isso - diz Parente.
O futuro chegou
Escolas utilizam novas tecnologias para incrementar o ensino e manter o interesse dosalunos pelas aulas
Raquel Sepulveda
Muitas vezes associada à diversão, principalmente quando é disponibilizada para crianças e adolescentes, a tecnologia virou uma importante ferramenta de ensino. Programas de computadores ajudam a despertar o interesse por matérias e, ao mesmo tempo,Escolas já estimulam pesquisas feitas pela internet. Para manter um bom diálogo com os estudantes, professores se veem obrigados a ficar atentos às novidades do mundo virtual.
Vice-diretora da Faculdade de Educação da Uerj na Baixada, Marize Peixoto considera "a presença da tecnologia um desafio para professores, que, por conta dela, devem apresentar novas propostas de trabalho". A pedagoga afirma ainda queEscolas precisam utilizá-la ao máximo, pois "é um instrumento que aguça o potencial questionador, base de todas as descobertas do ser humano".
Fonte: O Globo (RJ)

Reflexão

"A Preocupação olha em volta,
a Tristeza olha para trás, a Fé olha para cima."

Chico Xavier

Homenagem às mães

Dom Bosco

O PROFESSOR E A INFORMÁTICA EDUCATIVA


Pode-se afirmar que o uso do computador só funciona, efetivamente, como instrumento no processo ensino aprendizagem, se for inserido num contexto de atividades que desafiem os alunos a crescerem, construíndo seu conhecimento na relação com o outro (o professor e os colegas), além de utilizar a máquina. Acreditamos na necessidade de uma postura em que o aluno seja ativo, responsável pela construção de seus conhecimentos,de sua aprendizagem, e não um receptor passivo de informações. Dessa forma, não será a mera entrada da Informática, e sua transformação em disciplina curricular, que alterará o curso do processo ensino-aprendizagem, por intermédio de conteúdos significativos e integrados.
O professor no uso da Informática Educativa, como fator integro de conhecimento e promotor de aprendizagem. Defendemos mudanças nas abordagens mais tradicionais de ensino, de tal forma que esta venha a favorecer a aprendizagem do aluno e do professor.

*A importância do trabalho em grupo; 

*A possibilidade de se estabelecerem conexões entre categorias de pensamento e entre os conteúdos significativos para o sujeito; *Um ambiente onde todos tenham liberdade para criar, pensar e inventar; 

* Uma escola que valorize a criatividade do professor e do aluno.

A necessidade de criação deste tipo de ambiente de aprendizagem não é nenhuma novidade no meio educacional. Mostramos que a entrada da Informática em nosssas escolas pode dar um novo ânimo para que se promovam essas transformações. Atuando num ambiente estimulante, de respeito e de troca, o professor estará não só favorecendo ao grupo como um todo, mas também ajudando aos que tem, por exemplo, dificuldade de expressão, de sistematização de ideias, de generalizões e de reflexões mais profundas. Os alunos que tem menos facilidade de concetração, tentarão estar mais atentos para poder participar em igualdade com os colegas. Os mais tímidos poderão ser incetivados pela produção grupal a dividir seus sucessos e insucessos

Fonte: Livro - A Informática e os Problemas Escolares de Aprendizagem.
Autoras: Alba Maria Lemme Weiss / Mara Lúcia R. M da Cruz

Atividades

Atividade para o 4° e 5° ano do Ensino Fundamental
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Atividades

Atividade para o 2° ano.

A IMPORTÂNCIA DE BRINCAR

Vivemos atualmente em uma sociedade capitalista e violenta em que as crianças, em sua maioria, já não vivenciam mais brincadeiras de outras épocas, devido a três "avanços": o avanço da tecnologia, o avanço da violência e o avanço da ignorância. É triste saber que mais de 95% dos brasileiros não sabem que brincar tem a mesma importância que estudar, na formação de um caráter. E mais revoltante ainda é saber que algumas escolas banem do seu currículo acadêmico aulas de Educação Física, simplesmente por acharem que esse tipo de ensinamento é descartável.
Brincar tem uma importância absurda nos processos de desenvolvimento humano. Muitos não conseguem entender, ou até mesmo acham idiotice, mas as brincadeiras de infância são o reflexo dos desafios da vida adulta. E é necessário que as instituições de ensino tenham essa consciência e invistam mais em brincadeiras e dinâmicas para as suas crianças, pois estas, em sua totalidade, preparam-nas para o futuro.
Para ser ter uma idéia, está cientificamente comprovado que brincar desenvolve: a coordenação motora, a integração com o grupo, a locomoção, o raciocínio, o espírito esportivo, a elasticidade corporal, a resistência física, a resistência psicológica, o reconhecimento de erros e a disposição para corrigí-los, a criação de estratégias, a motivação, a criatividade, a comunicação, o espírito de liderança, a aptidão, a velocidade de corrida, a noção de espaço, a noção de tempo, o reconhecimento de habilidades e dificuldades, a facilidade de aderir a mudanças, a compreensão dos limites dos outros, a auto-compreensão, a interpretação de situações, o entendimento da natureza e de suas fases, a curiosidade, o espírito de proteção, a ousadia, a motricidade, a socialização, a coragem, a desinibição, a ampliação da mente, a valorização da amizade, o desapego aos bens materiais, a competição sadia, a busca por diversão, o riso fácil, a prática de novas descobertas, a convivência, a exploração de objetos, o auto-conhecimento, o saber perder, o respeito ao próximo, a atitude, o desenvolvimento do sistema cardio-respiratório, a ampliação de conhecimentos, a organização de pensamentos, a aceitação de limites e o reconhecimento de que eles são necessários, a facilidade de tomar decisões corretas, a liberdade de expressão, a satisfação com o que se tem, a interação, a influência, a criação e compreensão de gestos, a expansão da cultura, a fácil adaptação a rotinas, a investigação, a flexibilidade, a busca por alternativas, a afeição, a arte de sonhar, o saber esperar, a eliminação da arrogância, a maturidade, a conexão entre o imaginário e o real, a facilidade de aprendizado, o aprimoramento de relações, a facilidade de fazer amigos, a inteligência, a fertilidade da imaginação, a confiança, a esperteza, a segurança, a identidade própria, a autonomia, a atenção, a imitação do que é certo e o afastamento do que é errado, a memória, o espírito voluntário, a cooperação, a concentração, o despertar, a descoberta de mundo e, claro, a felicidade. E o melhor de tudo é que todos esses aprendizados são adquiridos pelas crianças de forma natural, gradativa e prazerosa! Brincar é um ato tão divino que, mesmo gerando grandes e significantes resultados, ela gera divertimento e satisfação, tanto para crianças, como para adultos.
Brincar é um momento sagrado. É através das brincadeiras que as crianças ampliam os conhecimentos sobre si, sobre o mundo e sobre tudo que está ao seu redor. Elas manipulam e exploram os objetos, comunicam-se com outras crianças e adultos, desenvolvem suas múltiplas linguagens, organizam seus pensamentos, descobrem regras, tomam decisões.
É necessário entender o quanto é saudável cair, se ralar, tropeçar, errar, perder, levar uma bolada, pular, saltar, rir à toa, correr... Enfim, ser feliz! Isso é ser criança. E tudo isso prepara as crianças para o futuro, onde terão que enfrentar desafios semelhantes às brincadeiras. Basta analisar as regras de qualquer brincadeira e compará-las com o mundo aqui fora. Assuma o compromisso de fazer isto e descubra porque tenho razão.
O adulto, ao se permitir brincar com as crianças, sem envergonhar-se disto, poderá ampliar, estruturar, modificar e incrementar as experiências das crianças. Ao participar junto com as crianças das brincadeiras, ambos aprendem através da interação, constroem significados apropriando-se dos diversos bens culturais e se construindo ao mesmo tempo, entre lembranças de adultos que brincavam quando crianças ou não, entre novas brincadeiras relembradas, aprendidas ou inventadas, exibindo que, mais do que coisa de criança, elas são de todos aqueles que ousaram tornar-se criança também.

Existe um rico e vasto mundo de cultura infantil repleto de movimentos, de jogos, da fantasia, quase sempre ignorados pelas instituições de ensino. É uma pena que esse enorme conhecimento não seja aproveitado como conteúdo escolar. Nem a Educação Física, enquanto disciplina do currículo, que deveria ser especialista em atividades lúdicas e em cultura infantil, leva isso em conta.

As instituições de ensino precisam levar em consideração essa gigantesca importância e aplicar brincadeiras e dinâmicas no currículo das crianças e dos adolescentes, desde o pré-escolar até o ensino médio. E isso não é um pedido, é uma obrigação. A Declaração Universal dos Direitos da Criança (aprovada pela ONU em 1959), no artigo 7º, ao lado do direito à educação, enfatiza o direito ao brincar: “Toda criança terá direito a brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantir a ela o exercício pleno desse direito”.

A tradição das brincadeiras tem ultrapassado gerações e gerações, espalhando-se por diferentes culturas e países. Sem sobra de dúvidas é necessária uma verdadeira cruzada em favor de um resgate dos jogos da cultura popular, pois eles estão em extinção. E esse resgate pode ser feito de duas formas: nas aulas de educação física, que precisam urgentemente desse conteúdo; e em gincanas recreativas, que deveriam ser muito mais freqüentes nas escolas de hoje.

Neste manual você tetá à sua disposição e à disposição da Instituição que você defende, 350 brincadeiras, dinâmicas e esportes que podem ser praticadas por todas as idades, desde que sejam adaptadas ao espaço e ao limite de cada um. Todas essas brincadeiras poderão se transformar em tarefas de gincana, desde que a comissão organizadora se reúna e faça algumas mudanças nas regras, para que mais pessoas possam brincar. As brincadeiras são primárias, portanto, seria interessante que o educador (ou recreador) crie novas brincadeiras tendo estas como base. E se você ainda duvida da relação que estas brincadeiras têm com os desafios da vida adulta, escolha algumas para ler e analisar as regras. Duvido que você não extraia, pelo menos, três lições de vida de cada uma.

Bem, espero que as brincadeiras sejam úteis e conto com a ajuda da sua instituição para dar uma infância mais feliz às nossas crianças. E também não podemos esquecer do quão importante é que os adolescentes e adultos também brinquem, afinal, todos nós temos uma criança dentro da gente e está mais do que comprovado que rir faz bem à saúde e estende a longevidade humana. Portanto, fica registrado o apelo: Vamos Brincar!

Autor Anônimo
site:http://www.jogosbrincadeiras.com.br/2009/06/importancia-de-brincar.html

O que os pais pensam sobre as reuniões escolares coletivas entre eles e os professores?

Mariana Cruz

Sabe-se da grande influência que a vida escolar tem no desenvolvimento de nossos filhos: é lá que eles irão conviver com seus pares, se tornarão cada vez mais autônomos e formarão aspectos significativos de sua personalidade. A cada fase na vida da criança o papel da escola parece mudar, mas sua importância continua a mesma. Um dos meios mais utilizados para promover uma aproximação entre os pais e a escola são as reuniões coletivas entre esses e os professores. Para entender um pouco mais sobre a relevância de tais encontros, entrevistei cinco pais de alunos (quatro mães e um pai) com filhos de diferentes idades, de diferentes escolas e de diferentes criações.
A pergunta inicial foi sobre a importância de tais reuniões entre pais e professores para o desenvolvimento de seus filhos. As respostas foram diversas.
Melissa Ferraz, mãe de Rosa Marina, de 11 anos, conta que sua filha mudou de escola recentemente e tal atitude foi despertada justamente pelo que pôde constatar no decorrer de algumas reuniões entre pais e professores: “comecei a perceber e a evidenciar que o discurso da antiga escola estava muito aquém da prática. As reuniões eram pautadas por uma máscara em que a escola mostrava-se muito atenta, muito aberta a novas propostas, a participações de pais, mas na realidade era um discurso vazio, que não transformava nada. Uma repetição de modelos e métodos. Com ajuda de outros pais e conversando com minha filha, pude definir a necessidade de uma nova escola. Na escola atual, já pude notar reflexos de uma boa relação entre a direção, professores, pais e alunos. Durante as reuniões o que se fala e questiona é ponto de transformação. Existem espaços de discussão em rede de e-mails, os assuntos se desenvolvem, os pais se relacionam melhor e as crianças mergulham nos projetos com entusiasmo”. Sobre tais reuniões, Melissa diz que “independente de uma criança ou de outra, se ela vai bem ou mal, está se falando da "alma" da escola, das relações e das trocas em que se efetiva todo um processo educacional. Acho, portanto, um espaço de apropriação por parte dos pais, pois nem sempre o que chega pelo olhar da criança é uma fotografia. Já que cada indivíduo, com suas particularidades, vai aprender de uma maneira, cabe saber como a escola lida com essas individualidades e como as trabalha. Além de ser o espaço para trocas, insights, críticas, construção coletiva”.
Alan Alencar, pai de Agatha, de 12 anos, considera as reuniões de “extrema importância”, pelo fato de possibilitarem saber o comportamento dos filhos fora do ambiente de casa e da família.
Adriana Lazaroni, mãe de Giovanna, de 6 anos, e de João Paulo, de 2, diz que ”através delas recebemos as mais variadas informações para que possamos tomar decisões! Contribuem para a formação do triângulo escola-pais-filhos! Ficamos mais perto de todos!”.
Renata Firpo, mãe de Mariana Fernanda, de 8 anos, e João Pedro, de 5, dá seu ponto de vista sobre a função efetiva das reuniões coletivas de pais: “de modo geral servem para apresentar o projeto a ser desenvolvido ou as atividades que já aconteceram no colégio. A importância no desenvolvimento é pouca, pois não trata de casos individuais. Por outro lado, possibilita aos pais um acompanhamento maior da vida escolar das crianças, realizando tarefas extras e complementares em casa, pois nem sempre o aluno relata em casa o que se passa na escola. Nesse ponto, a reunião ajuda no desenvolver da criança, na medida em que pode aumentar o interesse dela nos projetos educacionais, diante do apoio e incentivo dos pais”.
Para Janete Krueger, mãe de Ana Clara, de 7 anos, e de Bernardo, de 4, tais reuniões mostram um lado diferente dos filhos que nem sempre é captado pelos pais, na medida em que estes “veem seus filhos através de seus ‘óculos’, sua experiência dentro de casa... E é nessa oportunidade que temos contato com outro aspecto da criança. Temos um retorno de como é a criança como ‘individuo social’. É a chance de vermos sem os nossos ‘óculos’ do dia a dia. Já me deparei com características desconhecidas por mim e que me ajudaram a alterar o meu comportamento. Por exemplo: meu filho mais novo tem atitudes com a irmã que não são manifestadas com os amigos, e o mesmo acontece com a irmã. Esse retorno me norteia quanto a repreender ou estimular determinadas atitudes. Dá uma visão que não tenho dentro de casa e que, mesmo que a criança manifeste na nossa frente em ambientes externos, não percebemos por já termos nosso conceito formado pela experiência dentro de casa. (...) Foi numa dessas reuniões que pude perceber certas dificuldades de meus filhos. Coisas que não via porque simplesmente mãe entende tudo que o filho diz antes mesmo dele terminar a frase. Mãe antecipa. Com a minha filha, eu nunca havia percebido que ela trocava alguns fonemas – por ser uma troca discreta, não acontecer sempre e eu antecipar o que ela está dizendo –; deixei de perceber uma coisa que no momento da escrita se manifestou”.
Em relação à dinâmica de tais reuniões, foi perguntado como é ouvir o relato de outros pais nessas ocasiões.
Para Alan, a reunião é um espaço que se tem para falar e ouvir sobre sua filha e comparar as relações alheias: “os pais, por mais que possam parecer experientes – com mais de um filho, digo –, sempre têm uma novidade a cada dia, sinais dos tempos que mudam com tanta rapidez”.
De acordo com Melissa, “muitas vezes tais reuniões viram terapia de grupo e, em outros casos, quando  existem pais demasiadamente carentes, que só sabem falar do próprio umbigo, a coisa fica complexa e desgastante”. Apesar de tais pontos negativos, ela diz acreditar muito “na possibilidade de transformação pela troca entre as pessoas; e, de fato, muitas vezes o seu problema se torna diminuto diante de outros problemas tão graves, tão mais complexos. É uma oportunidade de ajuda também para todos”.
Renata toca em um ponto pouco discutido: “às vezes os relatos não correspondem à realidade dos fatos. Muitos pais não dividem experiências negativas e podem dar a impressão pessoal de que nada de errado acontece ou já aconteceu. Por outro lado, às vezes há uma mesma reclamação comum a vários pais, mas nem sempre são repassadas à professora, ficando apenas como papo de corredor”.
Adriana diz não saber se em todas as escolas é como na de sua filha, mas pelo que presencia “os assuntos tratados nas reuniões de pais são sempre: método de ensino; planejamento; como a escola está trabalhando; o que se espera dos alunos; como nós, pais, devemos contribuir para que o objetivo seja alcançado; o que e como a criança deve alcançar; e por aí vai. Tratamos do todo! Depois, de acordo com a necessidade de cada um, existe a possibilidade de solicitar uma reunião sobre o seu filho ou até mesmo a escola chamar para tratar especificamente do seu filho. Por isso, acredito piamente que os dois tipos são muito importantes: um complementa o outro. Em uma reunião coletiva podemos perceber melhor os professores, identificar quais são os problemas coletivos e, a partir daí, identificar quais possam ser os só do seu filho. Todos os relatos apresentados, problemas ou méritos, servem para contribuir, por isso não os encaro como invasão e sim como uma troca para o crescimento. É nesse momento que devemos extrair do coletivo, sempre com bom senso, um norte para o seu individual, pois talvez o que você pensa ser um problema único possa ser uma fase natural da criança ou até mesmo um problema da turma. A troca de informação é sempre bem-vinda. A escola não deve encarar o aluno somente com a visão do grupo, e nós, pais, não podemos achar que nossos filhos são ímpares... Por isso é importante uma força constante! Trazer para bem perto tudo o que acontece dentro da comunidade escolar”.
Janete ressalta o fato de que educar é um aprendizado para os filhos tanto quanto para os pais, e brinca: ”quando minha filha nasceu senti muita falta de um manual de instrução (...). Vivemos numa era em que há oferta de cursos de formação para tudo, mas não há curso de formação para pais! Com o passar do tempo, fui percebendo que essa formação se dá com o curso da própria vida. Só a vivência nos ensina a ser pais”. E para que o aprendizado de tal função seja pleno, Janete acredita que a troca de experiências é fundamental: “ver que o que acontece com nosso filho também acontece com outra criança dá um referencial para a nossa experiência individual”. Ela então dá exemplos de dúvidas que podem ser tiradas através desse intercâmbio: “é comum a criança espelhar a letra? A troca de fonemas indica sempre a necessidade de um tratamento fonoaudiológico? (...) É na troca diária que tenho com outros pais, desde quando levo as crianças à pracinha até quando as busco na escola, que vou formando meu conhecimento sobre como educar. Vou tendo referências”.
E sobre a importância de o pai ter aproximação com os professores. O que eles pensam?
Renata vê tal convivência como importante, pois muitas vezes “o professor fica mais tempo com a criança do que os próprios pais, que de modo geral trabalham 8 horas por dia, então a aproximação e a troca de comunicações são essenciais para a parceria entre escola e família, que trará efeitos positivos ao aluno”. Adriana Lazaroni parece concordar com tal opinião ao afirmar que os professores “fazem parte da comunidade escolar e do processo”. Janete também considera tal troca fundamental, “porque a educação se dá entre família e escola. Não é um simples delegar. É um processo continuo”.
Alan considera que “os professores são uma extensão da educação que o filho recebe. Por isso, a interação entre essas partes não só é importante como indispensável, se estende da escola para casa e vice-versa”.
Melissa mostra um ponto de vista diferente; ela não acha que isso seja uma regra, visto que, “se o processo entre o aluno e o professor vai bem, não vejo razão para a aproximação, pois muitas vezes, dependendo da faixa etária do aluno, a aproximação pode até atrapalhar. Outras vezes essa aproximação gera conforto, alegrias, trocas e novidades”.
Por fim, perguntei se teriam para relatar algum caso curioso que tenha acontecido em alguma dessas reuniões.
Adriana lembra-se de dois casos que podem ilustrar bem o que a mobilização dos pais pode fazer: “já tivemos reuniões provocadas por nós, pais, através de trocas de informações por e-mails! As crianças ficam período integral na escola; portanto, almoçam lá. E começamos a perceber, pelo relato dos pequenos, que a comida que vinha sendo servida fugia completamente do que desejávamos e pagávamos. O movimento começou através da troca de e-mails e a escola agendou uma reunião com os pais da turminha da minha filha. Conseguimos trocar o prestador de serviço. Uma atitude coletiva, mas que serviu para o indivíduo Giovanna! Em outro momento, a Giovanna precisava tomar um remédio e a enfermeira trocou-o com o de outra aluna; despediu-se a enfermeira – um movimento isolado, mas que serviu para o grupo!
Janete também relata um caso que aconteceu com ela: “Na ultima reunião da minha filha, a escola propôs que os pais formassem grupos e discutissem a questão do “limite”. Foi muito interessante ver como cada família se manifesta nessa construção e que, muitas vezes, os limites são ultrapassados por nós, pais. A gente educa pelo exemplo que dá; nossos filhos são um pouco de nós, e nós reproduzimos nossos pais (mais até do que desejamos). Discutir isso em grupo chamou a atenção para atitudes diárias que temos, como: estacionar em fila dupla na porta da escola. Como fazer seu filho respeitar o próximo se você não percebe que desrespeita ao atrapalhar o trânsito e contribuir para que outra pessoa se atrase porque você parou o carro no primeiro lugar que viu? Essa reunião foi a primeira em que todos os pais, de diferentes turmas, discutiram e interagiram trocando suas vivências. Nela pude perceber uma coisa que se dá rotineiramente na minha frente e eu não via: a educação é fruto de um processo coletivo, não é uma relação só de cada família com seu filho; é também entre as famílias que se relacionam. O ser social se constrói por meio da relação com seus pares e o meio ambiente. Isso a gente até pode saber, independente de ser pai ou não; o difícil é perceber isso no dia a dia, na vida prática. Essa reunião nos estimulou a criar um grupo virtual de pais na turma da minha filha; resultado concreto da troca que se deu através desse grupo: a escola propôs um passeio de Dia das Crianças em que o programa era cinema e McDonald’s, por R$65,00, em um shopping no Recreio (a escola fica na Zona Sul). Grande parte dos pais não gostou do todo que compunha o passeio (seja pelo programa, distância ou preço). Foi por iniciativa de uma mãe que comentou sua discordância  nesse grupo virtual, e encontrou respaldo nos outros pais, que o passeio foi alterado”.http://by152w.bay152.mail.live.com/mail/clear.gif
Melissa, apesar não ter nenhum fato muito significativo para ilustrar, fala sobre a ansiedade que fica durante essas reuniões e, de forma sensível, consegue traduzir em palavras a expectativa que tais encontros geram e o que eles significam (ou deveriam significar): “Como se ali fosse o grande momento de resolver todas as questões inerentes ao aprendizado: e o teor educacional, as abordagens, a metodologia, os projetos, caminhos... E me vem sempre uma onda de ideias sobre o real significado de educação, da real escola. E daí se esbarra nos muros que esta possui, nos indivíduos e na questão da temporalidade”.
Tais depoimentos de pais tão engajados, comprometidos e envolvidos no processo de educação de seus filhos talvez estimulem uma reflexão acerca do tema em questão (provavelmente de forma mais eficaz do que se tivesse optado por escrever uma matéria teórica sobre o assunto). Tais relatos falam por si sós. E você, caro leitor, se quiser mandar sua opinião e só enviar para o fórum Discutindo sobre a importância da reunião entre pais e professores na escola.
Agradeço a colaboração dos pais Alan Alencar, Adriana Lazaroni, Janete Krueger, Melissa Ferraz e Renata Firpo na realização desta matéria e aproveito para parabenizá-los pela participação efetiva que têm na educação e formação de seus filhos.
Publicado em 3 de novembro de 2010